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Capítulo 8 – Fenícios, persas e hebreus

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Capítulo 8 – Fenícios, persas e hebreus

Resumo completo

Capítulo 8 – Fenícios, persas e hebreus

Resumo completo

1Introdução: heranças que vieram do Oriente Médio

Todos os dias você usa o alfabeto para escrever e o dinheiro para comprar coisas. Muita gente também segue religiões que acreditam em um único Deus, como o cristianismo, o judaísmo e o islamismo.

Essas três coisas parecem modernas, mas são heranças muito antigas. Elas vieram de povos que viveram há mais de três mil anos na região do Oriente Médio (onde hoje ficam países como Irã, Iraque, Síria, Israel, Líbano e Egito).

Quando um costume antigo continua existindo até hoje, chamamos isso de permanência histórica. Estudar fenícios, persas e hebreus é entender de onde vêm hábitos que ainda usamos.

Exemplos

  • Exemplo de permanência histórica: você escreve seu nome usando letras criadas a partir do alfabeto inventado pelos fenícios há cerca de 3.200 anos.
  • Outro exemplo: quando você paga um lanche com uma moeda, está repetindo um costume que os persas ajudaram a espalhar pelo mundo.

As três grandes heranças do capítulo

PovoGrande legadoComo aparece hoje
FeníciosInvenção do alfabetoAs letras que usamos para escrever
PersasGrande império e uso de moedasO dinheiro nas compras e trocas
HebreusMonoteísmo ético (judaísmo)Judaísmo, cristianismo e islamismo

2Os fenícios e o alfabeto

Antes do alfabeto, escrever era muito difícil. Nas primeiras escritas, como a dos egípcios e a dos sumérios, cada palavra ou ideia era representada por um sinal diferente, chamado pictograma. A escrita suméria chegou a ter mais de dois mil pictogramas!

Por isso, só pessoas muito treinadas, os escribas, sabiam escrever. Com o alfabeto tudo ficou mais fácil: com menos de 30 sinais (as letras) dá para escrever qualquer palavra, porque cada letra representa um som.

O alfabeto foi criado por volta do século XIII a.C. pelos fenícios, um povo de origem semita que vivia onde hoje fica o Líbano, numa região chamada Canaã. Por isso também eram chamados de cananeus.

O nome "fenício" veio dos gregos, provavelmente da palavra phoinix, que quer dizer "cor púrpura", pois eles vendiam tinta dessa cor para tecidos.

O alfabeto fenício tinha 29 letras e depois foi reduzido para 22, só com consoantes. Como eles eram comerciantes do mar, espalharam essa escrita por todo o Mediterrâneo. Os gregos adotaram o alfabeto por volta do século IX a.C. e acrescentaram as vogais. Depois os romanos fizeram novas mudanças, criando o alfabeto que usamos hoje no Ocidente.

Exemplos

  • Passo a passo da história do alfabeto: 1) Séc. XIII a.C. – fenícios criam um alfabeto de 29 letras, só consoantes; 2) depois reduzem para 22 letras; 3) séc. IX a.C. – gregos adotam e acrescentam as vogais; 4) séculos depois – romanos mudam de novo e nasce o alfabeto que usamos.
  • Comparação prática: para escrever a palavra casa em pictogramas, seria preciso conhecer um desenho específico para "casa". Com o alfabeto, bastam 4 letras que você já conhece e pode reaproveitar em milhares de outras palavras.

Escrita por pictogramas x escrita alfabética

CaracterísticaPictogramas (sumérios/egípcios)Alfabeto (fenícios)
Quantidade de sinaisMilhares (mais de 2.000)Menos de 30 (29 e depois 22)
O que cada sinal representaUma palavra ou ideiaUm som da língua
Quem sabia escreverPoucas pessoas: os escribasMuito mais gente podia aprender
Facilidade de adaptaçãoDifícil de usar em outra línguaPode ser adaptado a qualquer idioma

Palavras-chave

TermoSignificado
SemitaPovos que falam línguas semíticas (hebraico, árabe, fenício). O nome vem de Sem, filho de Noé, no livro de Gênesis
CanaãRegião do Oriente Médio onde viviam os cananeus, entre eles os fenícios
PictogramaSinal que representa uma palavra ou ideia inteira

3A expansão fenícia pelo Mediterrâneo

Os fenícios viviam numa faixa estreita de terra entre o Mar Mediterrâneo e as montanhas do Líbano: cerca de 200 km de comprimento por 40 km de largura. Das montanhas tiravam o cedro, madeira nobre usada para construir navios.

Como tinham poucas terras boas para plantar, criavam gado e cultivavam trigo, videiras e oliveiras. Mas a vida deles girava mesmo em torno do comércio pelo mar.

Os fenícios não tinham um governo único. Cada cidade se governava sozinha: eram cidades-Estado, como Sídon, Biblos e Tiro. Antes delas, destacou-se a cidade cananeia de Ugarit, destruída no século XIII a.C.

A partir do século XIII a.C., outros povos (hebreus, filisteus, arameus) ocuparam as regiões vizinhas. Cercados por terra, os fenícios se dedicaram à navegação e começaram sua expansão marítima, disputando com egípcios e assírios as melhores rotas do Mediterrâneo.

Exemplos

  • Exemplo de troca comercial fenícia: eles saíam com cedro, armas, linho, pedras preciosas, tecidos e objetos de vidro e marfim, e voltavam com ouro, cobre, estanho e ferro.
  • Por volta de 2500 a.C., algumas cidades de Canaã viraram ponto de encontro de caravanas de mercadores, tornando-se entrepostos comerciais (locais de armazenar e negociar produtos).

Sociedade das cidades fenícias

Grupo socialQuem eram / o que faziam
Monarca (rei)Governava a cidade-Estado
AristocraciaComerciantes ricos e donos de terras que ajudavam o rei
CleroSacerdotes poderosos, ligados à religião
Maioria da populaçãoCamponeses, marinheiros e artesãos de joias, vidros e tecidos

Principais cidades e colônias fenícias

NomeTipoOnde fica hoje
Tiro, Sídon, BiblosCidades-Estado da FeníciaLíbano
Cádis e IbizaColôniasEspanha
Oea (Trípoli)ColôniaLíbia
CartagoColônia mais famosaPerto de Túnis, na Tunísia

3.1Feitorias, colônias e o fim da Fenícia

Nas longas viagens, os fenícios paravam em pontos da costa da África e da Europa para descansar e se abastecer. Nesses lugares fundaram feitorias, que eram centros comerciais no litoral onde guardavam e negociavam produtos.

Com o tempo, muitas feitorias viraram colônias. As mais conhecidas foram Cádis e Ibiza (hoje na Espanha), Oea (atual Trípoli, na Líbia) e, a mais famosa de todas, Cartago, no norte da África.

A partir do século IX a.C., a Fenícia sofreu invasões de assírios, babilônios, persas e gregos. Em 64 a.C., os romanos dominaram a região, marcando o fim da civilização fenícia.

Exemplos

  • Sequência das invasões da Fenícia: assírios → babilônios → persas → gregos → romanos (64 a.C., fim da civilização fenícia).

3.2Para ir além: Cartago, uma potência no norte da África

Cartago foi fundada em 814 a.C. por pessoas vindas de Tiro e acabou ficando mais importante que a própria cidade que a criou. Foi a maior e mais poderosa colônia fenícia.

No fim do século V a.C., tinha mais de 400 mil habitantes e dominava o comércio do Mediterrâneo. Durante muito tempo os cartagineses pagavam com ouro; no século IV a.C. passaram a cunhar (fabricar) moedas.

O exército de Cartago não era permanente: era formado por mercenários, soldados contratados que lutavam em troca de pagamento. Eles ainda usavam elefantes de guerra para assustar os inimigos.

A partir do século II a.C., Roma quis dominar o comércio do Mediterrâneo e começou a rivalidade. O conflito ficou conhecido como Guerras Púnicas (264 a.C.–146 a.C.), porque os romanos chamavam os cartagineses de punici. Roma venceu e Cartago foi completamente destruída.

Exemplos

  • Linha do tempo de Cartago: 814 a.C. – fundação por gente de Tiro; séc. V a.C. – mais de 400 mil habitantes; séc. IV a.C. – começa a cunhar moedas; 264 a.C.–146 a.C. – Guerras Púnicas; 146 a.C. – destruição pelos romanos.

3.3Enquanto isso… o Império Hitita

Enquanto Ugarit crescia (séculos XIX ou XVIII a.C.), a região da Anatólia (atual Turquia) era ocupada pelos hititas, um povo de origem indo-europeia.

Eles formaram um império que chegou até a Babilônia e foi tão grandioso quanto o dos assírios e o dos egípcios. O segredo foi o forte exército, com cavalaria poderosa e carros de guerra puxados por cavalos que levavam arqueiros habilidosos.

No século XIII a.C., uma guerra civil enfraqueceu os hititas. O território foi invadido e o império chegou ao fim. A capital deles era Hattusa, hoje Patrimônio Mundial da UNESCO.

4Os persas e seu grande império

Os persas surgiram no Planalto Iraniano, na Ásia. Por volta de 2000 a.C., várias tribos se instalaram lá, vivendo da troca de produtos, do cultivo de trigo e da criação de ovelhas.

Dois povos se destacaram: os medos e os persas. No começo não havia um chefe único, pois as tribos se dividiam em clãs (conjuntos de famílias com a mesma origem), cada um com seu líder.

Por volta de 720 a.C., os medos se uniram sob um rei e formaram uma monarquia poderosa, com boa cavalaria e infantaria de arco e flecha, espada e lança.

Já os persas se unificaram em meados do século VI a.C., sob o comando de Ciro, o Grande. Ele fez de Susa a capital, dominou os medos e criou o Império Persa. Por causa dessa união, o povo também era chamado de medo-persa.

Exemplos

  • Passo a passo da formação do Império Persa: 1) por volta de 2000 a.C., tribos se instalam no Planalto Iraniano; 2) por volta de 720 a.C., os medos se unificam sob um rei; 3) séc. VI a.C., Ciro unifica os persas e faz de Susa a capital; 4) Ciro domina os medos e nasce o Império Persa.

4.1A expansão do Império Persa

Depois de unir medos e persas, Ciro começou uma política de conquistas. Para o leste, chegou até as margens do Rio Indo, na fronteira com a Índia. Para o oeste, dominou a Babilônia (que tinha cerca de 200 mil habitantes) e a Anatólia, entre outras regiões.

Ciro não conquistava só com a força: ele conseguiu manter a paz. Permitia que os povos vencidos continuassem com suas crenças, colocava líderes locais para administrar as terras conquistadas e poupava a vida de muitos inimigos. Isso o deixava popular.

Ciro morreu em 529 a.C. Seu filho Cambises governou até 522 a.C. e morreu sem herdeiros. Depois de disputas, um primo de Ciro, Dario, assumiu o poder.

Com Dario, o império chegou à maior extensão: cerca de 8 milhões de km², com aproximadamente 10 milhões de pessoas de culturas, línguas e origens diferentes. Seu exército muito treinado tinha mais de 100 mil homens espalhados pelo território e conquistou a Trácia e a Macedônia.

Exemplos

  • Comparação de tamanho: o Império Persa de Dario tinha cerca de 8 milhões de km². O Brasil tem cerca de 8,5 milhões de km² — ou seja, o império era quase do tamanho do nosso país.

Os governantes persas

GovernantePeríodoPrincipais feitos
Ciro, o Grandemeados do séc. VI a.C. até 529 a.C.Unificou persas e medos; capital em Susa; conquistou Babilônia e Anatólia; respeitou crenças locais
Cambises529 a.C. – 522 a.C.Filho de Ciro; morreu sem deixar herdeiros
Darioaté 486 a.C.Maior extensão do império; satrapias; estradas; moedas; canal ligando Mediterrâneo ao Mar Vermelho
Xerxes e sucessoresapós 486 a.C.Guerras e revoltas enfraqueceram o império, conquistado por Alexandre, o Grande

4.2Em busca da governabilidade: satrapias e sátrapas

Governar um território enorme, com povos tão diferentes, não era fácil. Dario foi um grande administrador e criou condições para que todos convivessem de forma mais ou menos pacífica.

Para isso, dividiu o império em vinte províncias chamadas satrapias. Cada uma era administrada por uma pessoa de confiança do imperador, o sátrapa.

Assim como Ciro, Dario deixou boa parte da administração nas mãos de lideranças locais e permitiu que os povos mantivessem sua religião e seus costumes. Isso conquistava a simpatia dos conquistados.

Mas Dario não confiava cegamente: tinha um rígido sistema de vigilância. Se ficasse provado que um sátrapa usava mal o cargo, ele era executado.

Exemplos

  • Comparação simples: as satrapias eram como os estados de um país, e os sátrapas, como governadores nomeados pelo imperador — só que vigiados de perto por espiões do rei.

4.3Leis, tributos, estradas e moedas

Dario procurava interferir o mínimo possível na cultura dos povos conquistados. Ele mantinha o sistema judiciário local e, às vezes, apenas juntava as leis em um único código. Essa codificação das leis dava mais igualdade jurídica e agradava as populações.

Os tributos (impostos pagos ao império) também mudaram. Antes, cada reino pagava de forma aleatória, muitas vezes sem ter condições. Dario mandou funcionários levantarem as reais condições de cada lugar e só depois definiu quanto e o que cada região deveria pagar. Isso enriqueceu o império.

Para ligar as partes do império, Dario construiu uma grande rede de estradas, com hospedarias para viajantes e um serviço de correios rápido. Assim as notícias e o exército circulavam melhor.

Dario ainda adotou a cunhagem de moedas dos lídios (povo dominado) e unificou pesos e medidas, o que facilitou o comércio e aumentou o controle do governo sobre as trocas.

Exemplos

  • Intercâmbio promovido por Dario: árvores frutíferas dos Montes Zagros (Irã) passaram a ser plantadas na Anatólia; o arroz indiano chegou à Mesopotâmia; o gergelim foi para o Egito; o pistache, para a Síria; alfafa, pombos e pavões foram levados para a Europa.
  • O dárico era a moeda de ouro dos persas, com a imagem do rei Dario segurando arco e flecha (cerca de 450 a.C.).
  • Dario inaugurou um canal de 145 km de comprimento e 45 m de largura ligando o Mar Mediterrâneo ao Mar Vermelho, a partir do Egito. Foi o antecessor do Canal de Suez, aberto em 1869 (mais de 2 mil anos depois).

Medidas de Dario para governar o império

MedidaPara que servia
Divisão em 20 satrapias com sátrapasAdministrar melhor um território gigante
Respeito à religião e aos costumes locaisGanhar apoio dos povos conquistados
Codificação das leisDar mais igualdade jurídica no império
Levantamento das condições locais para os tributosCobrar impostos mais justos e enriquecer o império
Rede de estradas, hospedarias e correiosComunicação rápida e deslocamento do exército
Cunhagem de moedas e pesos e medidas únicosFacilitar o comércio e controlar as trocas
Quatro capitais e paláciosMostrar o poder e embelezar as sedes do governo

As quatro capitais do Império Persa

Capital
Pasárgada
Susa
Ecbátana
Persépolis

4.4Poder e publicidade: a imagem de Dario

Dario queria que todos vissem o que seu governo fazia. Por isso, usou imagens e obras como uma espécie de propaganda.

Antes, as imagens valorizavam os deuses e as figuras mitológicas. Dario mandou fazer imagens que destacavam ele mesmo como líder e administrador.

Dario morreu de causas naturais em 486 a.C. sem realizar um grande sonho: conquistar a Grécia. Depois dele, o império foi governado por seu filho Xerxes e outros sucessores, mas guerras e revoltas enfraqueceram tudo, até que Alexandre, o Grande, rei macedônico, conquistou o Império Persa.

Exemplos

  • Nos relevos do palácio de Persépolis aparecem povos como partas e báctrios levando oferendas ao rei Dario I. Isso mostrava a todos que muitos povos reconheciam o poder do imperador. Essas entregas costumavam acontecer no Ano-Novo persa, o Noruz, no primeiro dia da primavera — comemorado até hoje.

4.5Para ir além: o zoroastrismo

Os persas foram um dos primeiros povos monoteístas, isto é, que acreditavam em um único deus. Esse deus era Ahura Mazda, representante da luz e da verdade, criador do céu e da Terra.

Por volta de 1200 a.C., um profeta chamado Zaratustra (ou Zoroastro) fundou o zoroastrismo, religião baseada nesse deus único. Ela pregava a salvação para quem escolhesse uma vida justa e honrada.

Para os seguidores, quem fosse bom em vida teria uma boa vida depois da morte; quem fosse mau sofreria tormentos. Alguns estudiosos dizem que essa ideia de bem e mal ajudou na expansão persa: quem aceitava a dominação teria uma boa vida no além-túmulo; quem resistia sofreria.

Essa noção de "bem e mal" influenciou outras religiões e culturas e tem semelhanças com o judaísmo.

Exemplos

  • O símbolo do zoroastrismo é o faravahar, um disco solar alado, que aparece em relevos nas ruínas de Persépolis, no Irã.

5Os hebreus e o monoteísmo ético

Os hebreus eram um povo vindo da região da Mesopotâmia que falava uma língua semítica. Eles se dividiam em tribos que cresceram e formaram um reino.

Como precisavam de terras para plantar e de pasto para os rebanhos de ovelhas, viviam se deslocando de um lugar para outro.

A história desse povo está muito ligada à sua religião. No começo, quase tudo o que se sabia vinha da Bíblia, principalmente do Antigo Testamento. Hoje existem provas arqueológicas de várias partes da história hebraica, e o texto bíblico não é mais a única fonte.

Segundo o livro de Gênesis, os hebreus surgiram a partir dos patriarcas, chefes de família escolhidos por Deus para liderar os primeiros grupos ancestrais. Os três grandes patriarcas são Abraão, Isaque e Jacó.

Os três patriarcas

PatriarcaQuem era
AbraãoSaiu de Ur, na Mesopotâmia, rumo a Canaã, a "Terra Prometida"
IsaqueFilho de Abraão e Sara, o segundo patriarca
JacóFilho de Isaque; recebeu de Deus o nome Israel; seus 12 filhos homens teriam formado as tribos hebraicas

5.1De Ur a Canaã: a viagem de Abraão

Segundo a tradição, Abraão recebeu uma revelação de Deus: seus descendentes formariam um grande povo. Para isso, ele deveria deixar sua casa em Ur, na Mesopotâmia, e ir viver em Canaã.

Por volta dos séculos XIX ou XVIII a.C., esse grupo teria chegado à Palestina (região de Canaã), uma faixa estreita de terra entre o deserto da Síria e o Mar Mediterrâneo.

Ali se estabeleceram perto do Rio Jordão, cuidando de rebanhos e cultivando oliveiras (azeitonas), figueiras (figos) e videiras (uvas).

A palavra Israel pode ser traduzida do hebraico como "aquele que lutou com Deus". Segundo Gênesis, Deus apareceu em forma de homem a Jacó, lutou com ele a noite inteira, depois o abençoou e o chamou de Israel.

5.2A ida ao Egito e o Êxodo

Por causa de uma seca, os hebreus teriam saído da Palestina e fugido para o Egito por volta de 1700 a.C.. Lá acabaram escravizados pelos egípcios por cerca de 400 anos.

Durante esse tempo o povo cresceu muito, até conseguir escapar e voltar para Canaã. Essa fuga ficou conhecida como Êxodo, palavra que significa a partida de um povo de uma região para outra (é também o nome do segundo livro da Bíblia).

É a partir desse período, por volta do século XIII a.C., que existem registros arqueológicos dos hebreus na Palestina.

Exemplos

  • Linha do tempo dos hebreus: séc. XIX/XVIII a.C. – Abraão chega a Canaã; c. 1700 a.C. – fuga para o Egito por causa da seca; cerca de 400 anos de escravidão; séc. XIII a.C. – Êxodo e volta para Canaã.

5.3Para ir além: Moisés e o Êxodo

O livro de Êxodo conta que o faraó, com medo de uma rebelião, mandou matar todos os bebês hebreus. Nesse contexto nasceu Moisés, filho de Joquebede.

Para salvá-lo, a mãe o colocou numa cesta no Rio Nilo, perto de onde a filha do faraó se banhava. O menino foi encontrado, adotado e cresceu como príncipe no Egito.

Já adulto, Moisés foi para Midiã, onde Deus apareceu a ele na forma de uma planta que pegava fogo e não se queimava, e mandou que exigisse do faraó a libertação dos hebreus. O faraó recusou e, segundo o relato, dez pragas atingiram os egípcios até ele ceder.

O faraó se arrependeu e perseguiu os hebreus. Diante do Mar Vermelho, Moisés estendeu a mão e o mar se abriu; o povo passou e depois as águas se fecharam. Durante 40 anos de travessia do deserto, Moisés recebeu de Deus os Dez Mandamentos, leis seguidas pelos judeus até hoje. Ele morreu antes de entrar em Canaã.

Exemplos

  • A história de Moisés já virou filme: a animação O príncipe do Egito (1998), da DreamWorks, conta essa trajetória.

5.4Como viviam as tribos hebraicas

No começo, as tribos hebraicas tinham uma organização social comunitária: as terras eram de uso comum, ou seja, de todos, e não de uma pessoa só.

Durante boa parte da história hebraica, o povo era comandado por um juiz, que orientava e aconselhava a população nos momentos difíceis. Os juízes também eram líderes militares, políticos e religiosos.

Os hebreus acreditavam em um único deus: Iavé (ou Javé, ou Jeová), o mesmo que teria abençoado os patriarcas.

Mesmo assim, em momentos de dificuldade — guerras, doenças, colheitas ruins — eles muitas vezes adoravam deuses de outros povos. Com o tempo, o monoteísmo foi se firmando e virou o ponto central da cultura hebraica.

Organização hebraica antes do Reino de Israel

AspectoComo era
SocialVida em tribos, terras de uso comum (comunitária)
PolíticoComando de um juiz, que também era líder militar
ReligiosoCrença em um único deus, Iavé (Javé/Jeová), mas com adoração ocasional a deuses de outros povos

6A religião une os hebreus: o Reino de Israel

A região onde os hebreus se instalaram vivia em conflito por causa das terras férteis. Nas guerras, povos com governos centralizados e grandes exércitos levavam vantagem. Organizados apenas em tribos, os hebreus sofriam pressão de egípcios e de povos da Mesopotâmia.

Entre eles existia a crença de que eram um povo escolhido por Javé para habitar Canaã, a "Terra Prometida". Isso criou um forte sentimento de identidade: aos poucos se viram como uma nação, e não só como tribos separadas.

Muita gente passou a pedir a união das tribos em um só reino. Foi assim que nasceu o Reino de Israel, e os hebreus passaram a ser chamados de israelitas.

O primeiro rei foi Saul. Depois vieram Davi e Salomão, que fortaleceram o reino.

Exemplos

  • Davi (c. 1005–966 a.C.) tomou a cidade de Jerusalém de outros povos e a transformou no maior centro religioso do reino. Ele também organizou o exército e ampliou o território. Até hoje Jerusalém é sagrada para várias religiões.
  • Salomão (c. 966–925 a.C.) quis mostrar o esplendor de Israel: incentivou o comércio, construiu palácios e fortificações e introduziu carros de combate no exército.

Os reis do Reino de Israel

ReiPeríodo aproximadoPrincipais feitos
Saulpor volta de 1005–1010 a.C.Primeiro rei de Israel
Davi1005 a.C. – 966 a.C.Conquistou Jerusalém, organizou o exército, ampliou o território
Salomão966 a.C. – 925 a.C.Comércio, palácios, fortificações e carros de combate

6.1A divisão do reino e os profetas

Depois da morte de Salomão houve um conflito pelo poder e o reino se dividiu em dois. As tribos de Judá e Benjamim apoiaram Roboão, filho de Salomão, criando o Reino de Judá, ao sul. As outras tribos ficaram com o Reino de Israel, ao norte, tendo Jeroboão como rei.

A partir daí, a vida dos pobres piorou muito. Os ricos e poderosos cobravam impostos cada vez maiores, construíam palácios e se divertiam em festas.

Nesse cenário ganharam destaque os profetas. Eles existiam em várias culturas da Antiguidade e, segundo se acreditava, tinham o dom de explicar sonhos e visões, prever o futuro e falar com os deuses.

Entre os hebreus, os profetas serviram principalmente para criticar a injustiça social. Diziam que não bastava participar de cultos: era preciso praticar a justiça, ajudar o órfão, a viúva e os pobres, ser humilde e não aceitar subornos.

Exemplos

  • O profeta Amós criticou os poderosos assim: *"Vocês pisam no pobre e o forçam a dar-lhes o trigo... Vocês oprimem o justo, recebem suborno e impedem que se faça justiça ao pobre nos tribunais"*. Ele afirma que Deus não se agrada de festas religiosas e sacrifícios quando falta justiça.
  • O profeta Isaías dizia: "Ai dos que decretam leis injustas... para negarem justiça aos pobres". Esses textos mostram a época em que uma aristocracia enriquecia com o comércio e tomava as terras dos camponeses endividados.

A divisão do reino após Salomão

ReinoLocalizaçãoTribos / reiFim
Reino de JudáSulJudá e Benjamim, com RoboãoConquistado pelos babilônios em 586 a.C.
Reino de IsraelNorteDemais tribos, com JeroboãoDominado pelos assírios em 720 a.C.

6.2O judaísmo e o monoteísmo ético

Foram as pregações dos profetas que consolidaram a religião judaica no século VIII a.C. Assim nasceu o judaísmo, considerado a primeira religião monoteísta ética da história.

Isso quer dizer duas coisas ao mesmo tempo: acreditar em um único deus (monoteísmo) e defender preceitos morais e éticos, ou seja, regras de bom comportamento, como praticar a justiça, ser humilde e ajudar quem precisa.

Não bastava fazer sacrifícios e ir aos cultos: era preciso agir bem com as outras pessoas. Essa ideia influenciou grande parte das religiões que vieram depois, como o cristianismo e o islamismo.

O texto religioso central dos judeus é a Torá, o conjunto dos cinco livros (Gênesis, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio). Suas cópias, feitas à mão em rolos, são usadas nos cultos.

Exemplos

  • Segundo o historiador Jaime Pinsky, o grande legado dos hebreus foi "a concepção de um deus que não se satisfazia em ajudar os exércitos, mas que exigia um comportamento ético por parte de seus seguidores", preocupado com a exclusão social, a pobreza e a fome.

Monoteísmo x monoteísmo ético

ConceitoO que significaExemplo
PoliteísmoCrença em vários deusesEgípcios, sumérios
MonoteísmoCrença em um único deusZoroastrismo (Ahura Mazda)
Monoteísmo éticoUm único deus + regras morais de conduta para os fiéisJudaísmo (Javé, Dez Mandamentos)

6.3A diáspora

O Reino de Israel durou até 720 a.C., quando foi dominado pelos assírios, povo da região central da Mesopotâmia. Muitos hebreus foram levados presos e escravizados para a Assíria — algo comum na época com os derrotados nas guerras.

O Reino de Judá foi conquistado pelos babilônios em 586 a.C., que levaram os hebreus escravizados para a Babilônia. Só os hebreus de Judá conseguiram manter sua cultura e voltar depois. Por isso o povo passou a ser chamado de judeus (a maioria vinha de Judá). Hoje "judeu" pode significar tanto um descendente dos hebreus quanto quem segue a religião judaica.

Os judeus só puderam voltar à Palestina depois de 539 a.C., quando Ciro, rei dos persas, conquistou a Mesopotâmia e permitiu o retorno, desde que pagassem tributos.

Séculos depois, os romanos invadiram a Palestina e, diante da violência, os hebreus se espalharam pelo mundo. Essa dispersão é a diáspora — a dispersão de um povo causada por perseguições políticas, religiosas ou étnicas. Eles voltaram a se reunir em 1948, quando a ONU criou o Estado de Israel; porém, os povos que já viviam ali não tiveram seu direito à terra considerado.

Exemplos

  • Sequência da diáspora: 720 a.C. – assírios dominam Israel; 586 a.C. – babilônios conquistam Judá e levam os hebreus para a Babilônia; 539 a.C. – Ciro, rei persa, permite o retorno; invasão romana – dispersão pelo mundo; 1948 – criação do Estado de Israel pela ONU.

Dominações sofridas pelos hebreus

AnoQuem dominouO que aconteceu
720 a.C.AssíriosFim do Reino de Israel; hebreus levados como escravizados
586 a.C.BabilôniosFim do Reino de Judá; escravidão na Babilônia
539 a.C.Persas (Ciro)Permissão para voltar à Palestina, pagando tributos
Séculos depoisRomanosViolência e dispersão dos hebreus: a diáspora
1948ONUCriação do Estado de Israel na Palestina

6.4A identidade que resistiu ao tempo

Mesmo espalhados por várias regiões do mundo e separados uns dos outros, os judeus mantiveram um forte sentimento de identidade nacional e religiosa.

Isso só foi possível por causa da forte crença religiosa e da ideia de que a Palestina estava destinada a eles por vontade divina.

Até hoje a Palestina é uma região de disputas pela posse da terra. O principal confronto é entre judeus e palestinos, que reivindicam o direito de permanecer no território. Depois de 1948, as disputas aumentaram e já causaram várias guerras.

7Resumo final e revisão para a prova

Neste capítulo você estudou três povos do Oriente Médio e o que cada um deixou de herança para o mundo de hoje.

Guarde as três palavras-chave: alfabeto (fenícios), império e moedas (persas) e monoteísmo ético (hebreus).

As tabelas abaixo reúnem as datas e os nomes mais cobrados em provas. Leia cada linha em voz alta e tente lembrar o que significa antes de conferir.

Exemplos

  • Questão típica (UFPB): "o comércio marítimo marcou a presença histórica dos fenícios, que estabeleceram contatos com diversos povos ao longo da costa do Mar Mediterrâneo" — alternativa correta, porque a navegação foi a marca dos fenícios.
  • Questão típica (UFRGS): "os fenícios foram os criadores do alfabeto, posteriormente aperfeiçoado pelos gregos e latinos" — alternativa correta.
  • Questão típica (IFSUL): uma das principais cidades fundadas pelos fenícios foi Biblos (as outras opções, Jericó, Antioquia e Xian, não são fenícias).
  • Questão típica (IFSUL/UFAM): o Império Persa alcançou seu apogeu com Dario I, com fronteiras chegando ao Rio Indo, na Índia; e os persas desenvolveram o zoroastrismo e se expandiram a partir de Ciro, o Grande.

Quadro-resumo dos três povos

ItemFeníciosPersasHebreus
Onde viviamFaixa litorânea de Canaã (atual Líbano)Planalto Iraniano (atual Irã)Palestina / Canaã (região de Israel)
EconomiaComércio marítimo e artesanatoAgricultura, pastoreio, comércio e tributosPastoreio e agricultura
PolíticaCidades-Estado autônomas com reisImpério com satrapias e sátrapasTribos com juízes; depois reino com reis
ReligiãoPoliteísta, com clero poderosoZoroastrismo (Ahura Mazda), monoteístaJudaísmo (Javé), monoteísmo ético
Maior legadoO alfabetoAdministração de império, estradas e moedasMonoteísmo ético, base do cristianismo e do islamismo

Datas que caem na prova

DataAcontecimento
Séc. XIII a.C.Fenícios criam o alfabeto; Êxodo dos hebreus
814 a.C.Fundação de Cartago
Séc. IX a.C.Gregos adotam o alfabeto e acrescentam vogais
720 a.C.Unificação dos medos; assírios dominam o Reino de Israel
Séc. VI a.C.Ciro, o Grande, unifica os persas e cria o Império Persa
586 a.C.Babilônios conquistam o Reino de Judá
539 a.C.Ciro permite o retorno dos judeus à Palestina
486 a.C.Morte de Dario
264–146 a.C.Guerras Púnicas; Cartago é destruída por Roma
64 a.C.Romanos dominam a Fenícia
1948ONU cria o Estado de Israel

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Capítulo 8 – Fenícios, persas e hebreus

Resumo rápido

Capítulo 8 – Fenícios, persas e hebreus

Resumo rápido

1Introdução: três povos do Oriente Médio

No Oriente Médio (região onde hoje ficam Irã, Iraque, Líbano, Israel, Síria e outros países) surgiram três povos muito importantes da Antiguidade.

Os fenícios criaram o alfabeto. Os persas montaram um enorme império e espalharam o uso de moedas. Os hebreus criaram o judaísmo, a primeira religião monoteísta ética.

Essas heranças que continuam até hoje no nosso dia a dia são chamadas de permanências históricas.

Exemplo

  • Usar o alfabeto para escrever e pagar com dinheiro são permanências históricas desses povos.

2Os fenícios e o alfabeto

Antes do alfabeto, cada palavra ou ideia era representada por um desenho, o pictograma. A escrita suméria chegou a ter mais de dois mil sinais, e só os escribas conseguiam aprender.

O alfabeto mudou tudo: com menos de 30 letras, cada uma com um som, dá para escrever qualquer palavra. Por isso ele pode ser adaptado a qualquer idioma.

O alfabeto foi criado por volta do século XIII a.C. pelos fenícios, povo de origem semita que vivia em Canaã (onde hoje é o Líbano). Tinha 29 letras, depois reduzidas para 22, todas consoantes.

Como comerciavam pelo Mediterrâneo, os fenícios espalharam o alfabeto. Os gregos o adotaram no século IX a.C. e acrescentaram as vogais; depois os romanos fizeram novas mudanças, criando o alfabeto que usamos hoje.

Exemplo

  • O nome fenícios vem do grego phoinix (cor púrpura), pois eles vendiam tinta dessa cor para tecidos.

3A expansão fenícia pelo Mediterrâneo

Os fenícios viviam numa faixa estreita de terra (cerca de 200 km por 40 km) entre o mar e as montanhas do Líbano. Das montanhas tiravam o cedro, madeira nobre usada para construir navios.

Eles não tinham um governo único: cada cidade era uma cidade-Estado, ou seja, tinha autonomia política e administrativa. As principais foram Sídon, Biblos e Tiro.

A sociedade tinha um rei (monarca), uma aristocracia de comerciantes e donos de terra, um clero poderoso e, na maioria, camponeses, marinheiros e artesãos.

Cercados por outros povos, não podiam crescer para o interior e se dedicaram à navegação. Fundaram feitorias (centros comerciais no litoral) que viraram colônias, como Cádis, Ibiza e, a mais famosa, Cartago.

A partir do século IX a.C. sofreram invasões e, em 64 a.C., foram dominados pelos romanos.

Exemplo

  • Trocavam cedro, vidro, tecidos e marfim por ouro, cobre, estanho e ferro.

3.1Cartago

Fundada em 814 a.C. por gente de Tiro, no norte da África (atual Tunísia), tornou-se a maior e mais rica colônia fenícia. Seu exército era formado por mercenários (soldados pagos) e usava elefantes de guerra.

Cartago disputou o comércio do Mediterrâneo com Roma nas Guerras Púnicas (264 a.C.–146 a.C.) e acabou destruída.

4Os persas e seu grande império

Os persas vieram do Planalto Iraniano, na Ásia. Por volta de 2000 a.C. viviam ali tribos divididas em clãs (grupos de famílias com a mesma origem). Dois povos se destacaram: os medos e os persas.

Por volta de 720 a.C. os medos se unificaram sob um rei. Já os persas se uniram no século VI a.C. sob Ciro, o Grande, que fez de Susa sua capital, dominou os medos e criou o Império Persa (também chamado medo-persa).

4.1A expansão do Império

Ciro conquistou terras até o Rio Indo (a leste) e a Babilônia e a Anatólia (a oeste). Seu segredo para manter a paz foi a tolerância: deixava os povos conquistados com suas crenças e colocava líderes locais para administrar.

Depois de Ciro veio Cambises e, em seguida, Dario, com quem o império chegou ao tamanho máximo: cerca de 8 milhões de km² e 10 milhões de habitantes.

4.2O governo de Dario

Para governar um território enorme, Dario dividiu o império em vinte províncias, as satrapias, comandadas por administradores de confiança, os sátrapas. Um sistema de vigilância punia com a morte quem abusasse do cargo.

Dario manteve as leis e os costumes locais, mas organizou as leis em um só código. Também mediu as reais condições de cada região antes de cobrar tributos (impostos), o que tornou a cobrança mais justa e o império mais rico.

Ele construiu uma grande rede de estradas com hospedarias e correios, incentivou a troca de plantas e técnicas entre regiões, adotou a cunhagem de moedas dos lídios e unificou pesos e medidas. Morreu em 486 a.C.; mais tarde o império foi conquistado por Alexandre, o Grande.

Exemplo

  • A moeda de ouro persa se chamava dárico e trazia a imagem do rei Dario com arco e flecha.

4.3O zoroastrismo

Os persas foram um dos primeiros povos monoteístas (que creem em um só deus). Seu deus era Ahura Mazda, ligado à luz e à verdade.

Por volta de 1200 a.C., o profeta Zaratustra (Zoroastro) fundou o zoroastrismo, que prometia salvação a quem vivesse de forma justa. A ideia de luta entre o bem e o mal influenciou outras religiões.

5Os hebreus e o monoteísmo ético

Os hebreus vinham da Mesopotâmia, falavam uma língua semita e se dividiam em tribos que se mudavam sempre em busca de terra e pasto.

Muito do que se sabe deles veio da Bíblia, sobretudo do Antigo Testamento, mas hoje também existem provas arqueológicas.

Segundo o livro de Gênesis, tudo começou com os patriarcas: Abraão, Isaque e Jacó. Abraão teria saído de Ur rumo a Canaã (Palestina), a "Terra Prometida". Jacó recebeu o nome Israel, e seus doze filhos formaram as tribos hebraicas.

Por causa da seca, os hebreus foram para o Egito por volta de 1700 a.C. e ficaram escravizados cerca de 400 anos. A fuga de volta a Canaã, no século XIII a.C., é o Êxodo, liderado por Moisés, que teria recebido de Deus os Dez Mandamentos.

Antes de terem rei, as terras eram de uso comum e o povo era guiado por um juiz, que era líder religioso, político e militar. Acreditavam em um único deus: Iavé (Javé ou Jeová).

5.1O Reino de Israel

A crença de serem o povo escolhido por Javé criou um sentimento de identidade e uniu as tribos no Reino de Israel. A partir daí os hebreus passaram a ser chamados de israelitas.

O primeiro rei foi Saul. Depois veio Davi, que tomou Jerusalém e a tornou o centro religioso do reino. Seu filho Salomão ampliou o comércio e construiu palácios e fortificações.

5.2O judaísmo e os profetas

Depois da morte de Salomão o reino se dividiu: Reino de Judá (sul) e Reino de Israel (norte). Os ricos cobravam impostos altos e os pobres sofriam.

Nesse cenário ganharam força os profetas, que criticavam as injustiças. Diziam que não bastava participar de cultos: era preciso praticar a justiça, ajudar o pobre, a viúva e o órfão, ser humilde e recusar suborno.

Assim nasceu o monoteísmo ético: crer em um só deus e, além disso, seguir regras morais de justiça e respeito. O judaísmo foi a primeira religião assim e influenciou o cristianismo e o islamismo. Seu livro básico é a Torá (os cinco primeiros livros).

Exemplo

  • O profeta Amós dizia que Deus não aceitaria as ofertas de quem oprimia os pobres.

5.3A diáspora

Em 720 a.C. os assírios dominaram o Reino de Israel. Em 586 a.C. os babilônios conquistaram o Reino de Judá e levaram o povo escravizado para a Babilônia.

Como os que mantiveram a cultura e voltaram vieram de Judá, os hebreus passaram a ser chamados de judeus. Eles puderam retornar depois de 539 a.C., quando Ciro, rei persa, permitiu, desde que pagassem tributos.

Séculos depois, os romanos invadiram a Palestina e os judeus se espalharam pelo mundo: essa dispersão é a diáspora. Mesmo separados, a religião manteve a identidade do povo. Em 1948 a ONU criou o Estado de Israel — sem considerar o direito à terra dos povos que já viviam ali, o que gera conflitos até hoje.

6Enquanto isso... o Império Hitita

Nos séculos XIX–XVIII a.C., os hititas, povo indo-europeu, ocuparam a Anatólia (atual Turquia) e formaram um grande império, com capital em Hattusa.

Sua força vinha do exército, com cavalaria e carros de guerra puxados por cavalos. No século XIII a.C. uma guerra civil enfraqueceu os hititas e o império acabou.

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