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Capítulo 7 – América: Povos Andinos e Mesoamericanos

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Capítulo 7 – América: Povos Andinos e Mesoamericanos

Resumo completo

Capítulo 7 – América: Povos Andinos e Mesoamericanos

Resumo completo

1Introdução: a América antes dos europeus

Antes de os espanhóis chegarem à América, em 1492, o continente já estava cheio de gente. Existiam muitos povos diferentes vivendo aqui.

Alguns eram nômades, ou seja, grupos pequenos que mudavam de lugar o tempo todo procurando comida. Outros eram sedentários: ficavam fixos em um lugar, plantavam e construíam aldeias.

Com o passar do tempo, algumas dessas sociedades cresceram tanto que viraram grandes civilizações, com governo forte e territórios enormes. As mais famosas são os maias, os astecas e os incas.

Mas atenção: eles não foram os primeiros! Antes deles existiram outros povos importantes, como os caral, os nazcas, os olmecas e os teotihuacanos.

Exemplos

  • Exemplo de povo andino (região da Cordilheira dos Andes, na América do Sul): os incas e os caral.
  • Exemplo de povo mesoamericano (do sul do México até a América Central): os maias, os astecas e os olmecas.

Duas grandes regiões estudadas no capítulo

RegiãoOnde ficaPovos que viveram lá
Área AndinaCordilheira dos Andes e costa do Pacífico (Peru, Bolívia, Equador, Chile, Argentina)Caral, Nazca, Chimu, Inca
MesoaméricaDo sul do México até países da América Central (Guatemala, Belize, Honduras, El Salvador, Nicarágua, Costa Rica)Olmeca, Teotihuacana, Maia, Asteca

2Caral: a civilização mais antiga da América

O Peru fica na costa oeste da América do Sul, é cortado pela Cordilheira dos Andes e banhado pelo Oceano Pacífico. Os primeiros humanos chegaram lá há cerca de 12 mil anos e viviam da caça, da coleta e da pesca.

Por volta de 6000 a.C., muitos grupos já tinham se fixado em aldeias e plantavam. E por volta de 3000 a.C. essas aldeias cresceram e viraram cidades: nascia a civilização caral.

Caral é considerada a civilização mais antiga da América e uma das mais antigas do mundo, junto com Egito, Suméria, China e Índia. Ela durou cerca de mil anos e teve mais ou menos 20 cidades.

Essas cidades ficavam no Vale do Supe, uns 130 km ao norte de Lima (capital do Peru). Duas ficavam na beira do mar (Áspero e Vichama) e as outras na Cordilheira dos Andes. Por isso caral é um povo andino. A cidade principal se chamava Caral e chegou a ter até 3 mil moradores.

Exemplos

  • Comparação de idade: enquanto os egípcios construíam suas pirâmides, os caral também erguiam pirâmides no Peru — os dois povos viveram por volta de 3000 a.C.

Linha do tempo da civilização caral

Data aproximadaO que aconteceu
12 mil anos atrásChegada dos primeiros humanos ao Peru (caça, coleta e pesca)
6000 a.C.Grupos se tornam sedentários e praticam agricultura em aldeias
3000 a.C.Aldeias viram cidades: surge a civilização caral
Cerca de 2000 a.C.Fim da civilização caral (provavelmente por mudanças no clima)

2.1A cidade de Caral

A cidade de Caral era dividida em duas partes. Na parte baixa havia um anfiteatro e algumas casas. Na parte alta ficavam as maiores residências e os prédios públicos.

Pelo menos sete desses prédios tinham forma de pirâmide escalonada (pirâmide de degraus). Eles eram feitos com grandes pedras e argamassa, mas também existiam construções de taipa — uma técnica que usa barro amassado com varas de madeira ou bambu.

Nesses prédios aconteciam reuniões políticas, atividades administrativas e rituais religiosos. As pirâmides foram construídas seguindo a posição dos astros, o que mostra que esse povo conhecia Astronomia.

Exemplos

  • Pirâmide escalonada = pirâmide feita em degraus, como uma escada gigante que sobe até o topo.

As duas partes da cidade de Caral

ParteO que havia
Parte baixaAnfiteatro, algumas residências e outras construções
Parte altaMaiores residências e prédios públicos (sete em forma de pirâmide escalonada)

2.2Economia, sociedade e fim de caral

Caral e as cidades vizinhas eram autossuficientes: produziam quase tudo o que precisavam. As pessoas viviam da agricultura e da pesca e trocavam produtos entre si.

Uma atividade muito importante era o cultivo do algodão colorido, que permitiu fazer muitos tecidos. Eles usavam teares, agulhas de madeira e de osso. Com junco e outras fibras, faziam cestos e bolsas.

Esse trabalho especializado e as grandes pirâmides indicam que a sociedade caral era estratificada (dividida em camadas sociais) e tinha poder centralizado.

Não se sabe ao certo por que caral acabou. A hipótese mais aceita é que mudanças no clima prejudicaram a produção de alimentos e obrigaram as pessoas a migrar.

Exemplos

  • Autossuficiente: a cidade plantava, pescava e fabricava seus tecidos, sem depender de povos distantes.

2.3O legado de caral: quéchua, quipo e geoglifos

Mesmo depois de desaparecer, caral deixou uma herança enorme para os povos que vieram depois nos Andes.

Em Caral falava-se uma língua que seria uma forma antiga do quéchua, idioma oficial do Peru, da Bolívia e do Equador, falado hoje por mais de 10 milhões de pessoas.

Outro legado é o quipo: um objeto feito de vários cordões coloridos nos quais se davam nós. A posição e a quantidade de nós tinham um significado — por exemplo, quanto milho foi colhido no ano. Como a sociedade caral era ágrafa (não tinha escrita), o quipo era essencial para guardar informações. Os incas ainda usavam quipos no século XVI!

Caral também fazia geoglifos: figuras desenhadas no chão que só dá para ver de um lugar alto. Já foram achados dois: um em espiral e outro com um rosto humano.

Exemplos

  • Como "ler" um quipo (ideia geral): cada cordão representa um assunto; a cor indica o tipo de produto; a quantidade e a posição dos nós indicam o número contado.

Heranças deixadas por caral

LegadoO que éQuem continuou usando
QuéchuaLíngua (forma antiga dela nasceu em Caral)Peru, Bolívia e Equador até hoje
QuipoCordões com nós para registrar contas e informaçõesIncas, no século XVI
GeoglifosDesenhos gigantes feitos no soloCivilização nazca

3Nazca: os desenhistas do deserto

A civilização nazca também surgiu no atual Peru, por volta de 100 a.C., e teve seu auge até cerca de 700 d.C.. Sua cidade principal era Cahuachi, o centro político e religioso, a uns 450 km ao sul de Lima.

Alguns cientistas dizem que os nazcas viviam sob um governo teocrático — um governo comandado pelas regras de uma religião, em que o líder é tratado como um deus ou representante dele. Os sacerdotes eram muito importantes, principalmente porque entendiam de Astronomia.

A principal atividade era a agricultura. Eles construíram canais para levar água até as regiões mais secas. Também faziam tecidos e cerâmicas coloridas e bem decoradas.

Os nazcas ficaram famosos pelos geoglifos: centenas de desenhos gigantes no deserto, que só podem ser vistos por inteiro de uma certa altura. Há figuras geométricas e animais, como macacos, beija-flores, lhamas, aranhas, lagartos, tubarões e orcas.

Exemplos

  • Por que os nazcas fizeram os geoglifos? Ninguém sabe ao certo. Algumas hipóteses: (1) tinham função religiosa; (2) formavam um calendário astronômico.

Caral x Nazca

AspectoCaralNazca
ÉpocaPor volta de 3000 a.C.100 a.C. a 700 d.C.
Cidade principalCaral (Vale do Supe)Cahuachi
GovernoPoder centralizado, sociedade estratificadaGoverno teocrático, com sacerdotes fortes
Marca culturalPirâmides escalonadas e quipoCentenas de geoglifos no deserto

4Enquanto isso… Stonehenge (Europa)

Na mesma época em que caral crescia na América do Sul, na Europa grupos humanos construíam um monumento misterioso: Stonehenge (stone = pedra; henge = eixo).

Ele fica no sul da Inglaterra, numa região chamada Salisbury, e é patrimônio da humanidade pela UNESCO. É formado por pedras que chegam a 5 metros de altura e 50 toneladas cada uma.

Até hoje não se sabe qual povo o construiu nem para que servia. Estudiosos acham que foi erguido entre 2800 a.C. e 1100 a.C. e que servia como templo religioso e também como observatório do céu, para marcar o início das estações do ano.

Em 2015, pesquisadores encontraram perto dali outro monumento megalítico (feito de pedras enormes), com cerca de 90 pedras em círculo, de aproximadamente 2500 a.C.

Exemplos

  • Comparação: por volta de 3000 a.C., os caral erguiam pirâmides no Peru e, na Europa, começavam as construções de Stonehenge — povos muito distantes fazendo grandes monumentos ao mesmo tempo.

5Incas: o mais famoso povo andino

Assim como os caral, os incas surgiram na região da Cordilheira dos Andes, em terras que hoje pertencem ao Peru. De lá, conquistaram um império gigante, chegando ao Equador, à Bolívia, à Colômbia, ao Chile e à Argentina.

A expansão começou no século XIII, quando os incas se mudaram para as terras férteis entre os rios Huatanay e Tullumayo — onde hoje fica a cidade de Cusco (que significa umbigo do mundo em quéchua).

Perto dali existia um império poderoso, o Chimu, formado por volta do século XII no norte do Peru. Os chimus criaram canais e aquedutos que transformaram áreas secas em terras de plantio (milho, abóbora, algodão). Sua principal cidade, Chan Chan, teve cerca de 80 mil habitantes. No século XV, os chimus foram dominados pelos incas.

No começo, os incas obedeciam a grupos locais. Mas no século XIV passaram a vencer batalhas e viraram a principal autoridade de Cusco. Assim nasceu o Império Inca. Em meados do século XV ele já ocupava mais de 1 milhão de km² (quase o tamanho do México de hoje) e reunia cerca de 10 milhões de pessoas.

Exemplos

  • Ordem dos acontecimentos: século XII → surge o Império Chimu; século XIII → incas chegam à região de Cusco; século XIV → incas se impõem e criam seu império; século XV → incas dominam os chimus e atingem o auge.

Império Chimu x Império Inca

AspectoChimuInca
InícioSéculo XII, norte do atual PeruSéculo XIII, região de Cusco
Cidade principalChan Chan (cerca de 80 mil habitantes)Cusco (capital do império)
Destaque técnicoCanais e aquedutos para irrigar áreas áridasEstradas (Caminho Real) e encaixe de pedras
FimDominado pelos incas no século XVDominado pelos espanhóis no século XVI

5.1Sociedade inca

A sociedade inca era muito hierárquica: cada pessoa nascia em um grupo social e era quase impossível mudar de posição durante a vida.

No topo estava o Sapa Inca, o imperador, com sua família. Ele concentrava o poder, mas contava com a ajuda de sacerdotes, chefes militares e dos governantes das províncias.

A maior parte da população era formada por camponeses, organizados em comunidades chamadas ayllu. O chefe da comunidade, o kuraka, dividia as terras entre os membros e cuidava para que todos trabalhassem. Plantavam batata, batata-doce, quinoa, milho, amendoim e mandioca.

Os incas domesticavam a alpaca e a lhama, que serviam de transporte e davam lã e carne. Também praticavam o comércio e a ourivesaria (trabalho com metais preciosos). Por isso ficaram conhecidos como mestres dos metais.

Exemplos

  • Quem era quem: um camponês que plantava batata em um ayllu jamais viraria nobre — na sociedade inca não havia mobilidade social.

Pirâmide social inca (do topo para a base)

PosiçãoQuem fazia parte
1º (topo)Sapa Inca (imperador) e sua família
Sumo sacerdote e chefe do Estado-Maior do Exército
Sacerdotes dos templos, arquitetos, administradores, generais e governantes das províncias
Funcionários públicos, músicos, leitores de quipo, artesãos e capitães
5º (base)Feiticeiros, pescadores, camponeses, pastores e recrutas

5.2Cultura, arquitetura e o Caminho Real

Os incas não criaram um sistema de escrita. Para controlar a produção, o comércio e o pagamento de impostos, usavam o quipo, herdado da civilização caral.

Em compensação, eram mestres na arquitetura. Desenvolveram uma técnica de encaixar grandes blocos de pedra sem usar argamassa. Construíram cidades com redes de canais para levar água até lugares difíceis, como Machu Picchu, no topo de uma montanha de 2,4 mil metros de altitude.

Para controlar o império, criaram um sistema de estradas chamado Caminho Real. Ele tinha milhares de quilômetros e ligava Cusco a lugares distantes, como Mendoza (Argentina) e Ingapirca (Equador).

Ao longo das estradas havia fortalezas, sistemas de coleta de água e postos de mensagens. As mensagens eram levadas pelos chasquis, os mensageiros incas. Graças a isso o império conseguiu se manter centralizado.

Exemplos

  • Machu Picchu foi eleita em 2007 uma das Sete Maravilhas do Mundo Moderno.
  • Como funcionava o correio inca: um chasqui corria um trecho da estrada, entregava a mensagem em um posto e outro chasqui seguia com ela — assim o recado viajava rápido por centenas de quilômetros.

5.3Religião inca

Como o império controlava muitos povos diferentes, a diversidade cultural virou uma marca dos incas. Eles acreditavam em vários deuses e faziam muitas festas, principalmente na capital, Cusco.

A principal divindade era Inti, o deus do Sol. Sua adoração era imposta a toda a sociedade inca, que o considerava um ancestral do povo.

Até hoje os descendentes dos incas mantêm tradições antigas. Uma delas é o Inti Raymi (festa do Sol, em quéchua), festival em homenagem a Inti celebrado em Cusco.

Exemplos

  • Inti Raymi = festa do Sol em quéchua; ainda acontece em Cusco, no Peru, todos os anos.

6No México: olmecas

Os povos que viveram na América antes da chegada de Cristóvão Colombo (1492) são chamados de pré-colombianos ou pré-hispânicos. Entre eles estão zapotecas, mixtecas, toltecas, maias, astecas e incas.

A civilização olmeca teve seu auge entre 1200 a.C. e 400 a.C. e é considerada a mais antiga da América do Norte e da América Central. Ela cresceu em torno de três núcleos urbanos na região do Golfo do México: San Lorenzo, La Venta e Tres Zapotes.

Com o tempo, os olmecas se espalharam pela Mesoamérica — região que vai do sul do México até países como Guatemala, El Salvador, Belize, Nicarágua, Honduras e Costa Rica.

Eles se instalaram em colinas baixas perto de rios, onde a terra era fértil. Aproveitando as cheias, construíram canais para irrigar o solo. A maioria da população era de agricultores, que plantavam milho e pimenta.

Exemplos

  • San Lorenzo foi o núcleo principal, com cerca de 13 mil pessoas. Lá foram encontradas as famosas cabeças gigantes de pedra, com até 3 metros de altura e mais de 20 toneladas.
  • Em La Venta foi construída a primeira pirâmide da América do Norte e da América Central.

As três cidades olmecas principais

CidadeDestaque
San LorenzoNúcleo da civilização, cerca de 13 mil pessoas; cabeças gigantes de pedra
La VentaPrimeira pirâmide da América do Norte e Central
Tres ZapotesUm dos três núcleos urbanos principais

6.1Como os olmecas moravam

Os olmecas ergueram colinas artificiais, ou seja, morros feitos por eles mesmos.

Nas partes mais altas dessas colinas moravam os membros da elite, responsáveis pelas atividades religiosas e administrativas.

Nas áreas mais baixas viviam as pessoas das camadas sociais inferiores. Os mais pobres ficavam na periferia das colinas, em casas pequenas e pouco confortáveis.

Ou seja: quanto mais alto você morava, mais importante você era. A altura mostrava a posição social!

Moradia e posição social entre os olmecas

Local da colinaQuem morava lá
Parte mais altaElite: líderes religiosos e administradores
Parte mais baixaCamadas sociais inferiores
Periferia da colinaOs mais pobres, em casas pequenas e desconfortáveis

6.2Legado olmeca

Historiadores acham que a cultura olmeca está na base de quase todas as culturas do México e da América Central que vieram depois.

A religião olmeca era do tipo xamânica: existia na comunidade um feiticeiro ou xamã que, segundo a crença, podia se comunicar com o mundo sobrenatural por meio de rituais. Acredita-se que os líderes religiosos governavam o povo.

Eles veneravam o jaguar (onça-pintada) e acreditavam que seus feiticeiros eram a forma humana desse felino. Esse culto continuou em outras civilizações americanas.

Os sacerdotes conheciam Astronomia e criaram um dos primeiros calendários da América, usado para marcar festas religiosas e saber a hora de plantar e colher. Esse calendário influenciou maias e astecas. Os olmecas também criaram uma escrita com hieróglifos, que serviu de base para a escrita maia.

Exemplos

  • Três heranças olmecas fáceis de lembrar: o calendário, a escrita em hieróglifos e o jogo da pelota.

O que os olmecas deixaram para os outros povos

LegadoQuem herdou
Calendário baseado em AstronomiaMaias e astecas
Escrita com hieróglifosMaias
Culto ao jaguarCivilizações posteriores da Mesoamérica
Jogo da pelotaMaias, astecas e outros povos
Construção de pirâmidesMaias, astecas, teotihuacanos

6.3O jogo da pelota

Os historiadores acreditam que o jogo da pelota surgiu entre os olmecas. Os maias o chamavam de pok-ta-pok, os astecas de ullamaliztli e os espanhóis de juego de pelota.

Ele sobreviveu por mais de 3 mil anos e era um esporte ritualístico, ou seja, ligado à religião. Seu significado ainda não foi totalmente decifrado: para uns lembrava o movimento dos astros, para outros homenageava os deuses ou celebrava a morte e o fim de uma era.

O campo tinha o formato da letra i: a área central era comprida e estreita, com paredes inclinadas. Os campos mais antigos tinham 8 metros de largura por 80 de comprimento. Já foram encontrados mais de 1500 campos, do Arizona (EUA) até a Nicarágua.

Jogavam dois times. A bola era de borracha (feita do látex das seringueiras) e precisava passar por um aro de pedra de 40 cm a 80 cm de diâmetro, colocado a uns dois metros do chão. Só valia tocar a bola com as coxas, os braços e os quadris. Como acertar era muito difícil, a partida podia durar horas ou até dias!

Exemplos

  • Regra principal: fazer a bola de borracha atravessar um aro de pedra na parede, sem usar as mãos nem os pés.

O jogo da pelota em números

ItemMedida / dado
Duração da tradiçãoMais de 3 mil anos
Formato do campoLetra i, com paredes inclinadas
Campos mais antigos8 m de largura por 80 m de comprimento
Campos encontradosMais de 1500 (do Arizona à Nicarágua)
Aro de pedra40 cm a 80 cm de diâmetro, a cerca de 2 m do chão
Partes do corpo permitidasCoxas, braços e quadris

7Teotihuacan: a maior cidade do continente

Teotihuacan é uma cidade antiga do México. Seu nome, na língua náuatle, já foi traduzido como cidade dos deuses, cidade onde os homens se tornam deuses ou cidade do Sol. Fica a cerca de 40 minutos da Cidade do México.

Ninguém sabe qual povo a fundou. Acredita-se que os primeiros assentamentos começaram por volta do século VI a.C. e que a cidade atingiu o auge por volta de 250 d.C..

Ela começou como um centro cerimonial e foi recebendo pessoas de vários povos e regiões. Essas pessoas formaram a civilização teotihuacana. A cidade virou uma metrópole com mais de 20 km² e, em 500 d.C., já teria 200 mil habitantes — a maior cidade da América pré-hispânica!

A sociedade era estratificada, e os historiadores acreditam que os sacerdotes e os comerciantes estavam nas camadas mais altas. Nos espaços públicos aconteciam cerimônias religiosas que muitas vezes incluíam sacrifícios humanos.

Exemplos

  • Comparação de tamanho: 200 mil habitantes em 500 d.C. era muita gente — nenhuma outra cidade da América pré-hispânica chegou perto disso.

Linha do tempo de Teotihuacan

DataAcontecimento
Século VI a.C.Primeiros assentamentos na região
100 d.C. a 250 d.C.Grandes reformas urbanas: Pirâmide do Sol e Pirâmide da Lua
Cerca de 250 d.C.Auge da cidade
Séculos II a V d.C.Construção de cerca de 2 mil conjuntos residenciais de pedra
500 d.C.População chega a 200 mil habitantes
600 a 700 d.C.Saques e invasões causam a decadência
Por volta de 1000 d.C.Cidade completamente abandonada

7.1Pirâmides, templos e deuses

Entre 100 d.C. e 250 d.C., Teotihuacan passou por grandes reformas. Nessa época foram erguidas a Pirâmide do Sol e a Pirâmide da Lua, duas das maiores do México.

Os templos eram decorados com relevos e pinturas nas paredes. Neles apareceram, pela primeira vez, imagens do deus Quetzalcóatl, a Serpente Emplumada. Esse deus depois foi cultuado por outros povos, como os astecas.

Os teotihuacanos também cultuavam Tláloc, deus da chuva e da fertilidade, que igualmente foi incorporado à religião asteca.

Entre os séculos II e V d.C. foram construídos cerca de 2 mil conjuntos residenciais, alguns como palácios de dois andares. As antigas cabanas de material que apodrece foram trocadas por casas de pedra. Construir uma casa dessas exigia dezenas de trabalhadores durante meses — por isso alguns pesquisadores acham que devia existir um governante muito poderoso mandando a população trabalhar.

Exemplos

  • Atenção para a diferença: no Egito, as pirâmides guardavam o corpo do faraó (eram túmulos). No México, a maioria das pirâmides servia para cerimônias religiosas públicas, e no topo delas havia templos. Poucas foram usadas como túmulos.

Pirâmides do Egito x pirâmides do México

AspectoEgitoMéxico
Finalidade principalTúmulo do faraó e da famíliaCerimônias religiosas públicas
TopoFechado, ponta lisaMuitas vezes havia um templo
Uso como túmuloRegra geralPoucas exceções

8Maias: um grande povo mesoamericano

As populações que formaram a civilização maia provavelmente vieram do oeste dos atuais Estados Unidos em direção ao sul, por volta do terceiro milênio a.C. Entre elas estavam os olmecas, que se espalharam pela Mesoamérica.

Segundo estudiosos, o povo maia teria surgido por volta de 1800 a.C.. Com o tempo, ocupou quase 500 mil km² (área parecida com a da Espanha de hoje), principalmente na Península de Yucatán, no sudeste do México, além de Guatemala, Belize e Honduras.

Entre 300 a.C. e 200 d.C. a sociedade maia cresceu muito e criou vários centros populacionais. Muitos deles viraram cidades-Estado: cidades independentes umas das outras, cada uma com seu próprio governo.

O auge durou até cerca de 900 d.C., quando começou o declínio.

Exemplos

  • Cidade-Estado: cada cidade maia funcionava como um pequeno país, com seu governante e suas leis, sem obedecer às outras.

Cidades maias importantes

CidadeOnde ficaDestaque
TikalAtual GuatemalaMais de 60 mil pessoas; centro comercial do sílex (rocha para ferramentas e armas)
UxmalYucatán, MéxicoGrande centro religioso
EdznáAtual MéxicoSistema de canais para captar e distribuir água da chuva
Chichén ItzáYucatán, MéxicoTemplo de Kukulcán, pirâmide escalonada

8.1Sociedade e economia maia

A sociedade maia era hierárquica e estratificada. No topo estava o governante supremo, chamado halach uinic, que era líder civil, militar e religioso ao mesmo tempo.

Cada cidade-Estado tinha o seu halach uinic, ajudado pelos batabes (que governavam cidades submetidas) e por uma camada de aristocratas com funções religiosas, administrativas e guerreiras. O resto da população era formado por camponeses, artesãos e comerciantes.

A família era muito importante. Várias pessoas da mesma família dividiam um grupo de casas chamado na, construído em volta de um pátio central. Os moradores eram chamados de nalil. Uma família típica tinha os avós, os filhos homens, suas esposas e seus filhos. As filhas mulheres, ao casar, iam morar no na do marido. Era no na que as crianças aprendiam os ofícios da família.

A economia se baseava na agricultura e no comércio. O produto mais importante era o milho, base da alimentação. Também plantavam feijão, abóbora e pimenta. O cacau era um item nobre: só a aristocracia bebia, e suas sementes serviam de moeda nas trocas.

Exemplos

  • Os maias acreditavam que a Serpente Emplumada tinha dado o milho aos seres humanos. Por isso homenageavam tanto o deus quanto o milho.
  • Cacau como dinheiro: para comprar um produto, um comerciante maia poderia pagar com sementes de cacau.

Organização social maia

GrupoFunção
Halach uinicGovernante supremo de cada cidade-Estado: líder civil, militar e religioso
BatabesGovernavam as cidades submetidas pelos maias
AristocratasFunções religiosas, administrativas e guerreiras
Camponeses, artesãos e comerciantesMaior parte da população; produção e comércio

8.2Religião maia

A sociedade maia era politeísta, ou seja, acreditava em vários deuses. Esses deuses podiam ter formas variadas: misturar partes humanas com animais e ser masculinos, femininos ou andróginos (com características femininas e masculinas ao mesmo tempo).

Para os maias, os deuses criavam e mantinham o mundo. Acreditavam que o Universo já tinha passado por várias criações e destruições, assim como os seres humanos. As primeiras versões dos humanos teriam sido destruídas até os deuses conseguirem criar pessoas que os adorassem e respeitassem.

Como os deuses poderiam destruir tudo de novo, os maias faziam sacrifícios como forma de homenagem, obediência e respeito. Para isso construíam templos, altares e santuários, onde ofereciam homenagens para acalmar as divindades.

A religião influenciou toda a cultura: esculturas, murais, pinturas, máscaras e a arquitetura eram feitos em torno das crenças.

Exemplos

  • K'awill era a divindade maia dos raios, também ligada às serpentes e à fertilidade.
  • Kukulcán, cultuado em Chichén Itzá, era considerado equivalente à Serpente Emplumada de Teotihuacan.

8.3Escrita, ciência e declínio

Os maias criaram um código de escrita com hieróglifos (desenhos que representam sons ou ideias). Com ele registravam relatos históricos, crenças e assuntos da organização política e social.

Eles também desenvolveram uma Matemática avançada e chegaram ao conceito de número zero — algo muito difícil! As sociedades europeias da mesma época ainda não usavam nenhum símbolo para o zero.

Com a Matemática e a preocupação religiosa, avançaram na Astronomia e criaram dois calendários: um religioso, de 260 dias, e um civil, de 365 dias. O calendário civil ajudava na agricultura e no crescimento da economia.

A partir do século X, a civilização maia entrou em declínio, por causa de mudanças ambientais, crescimento da população e invasões de outros povos da Mesoamérica. As cidades foram tomadas pela floresta. Mas a cultura maia continuou influenciando a região, e os descendentes dos maias vivem ali até hoje.

Exemplos

  • Uma descoberta maia famosa é o pigmento azul que não desbota, feito de uma flor cor de índigo misturada a minerais. Ele continua vivo em afrescos pintados há mais de mil anos, como no túmulo de Bonampak, no México.

Os dois calendários maias

CalendárioNº de diasPara que servia
Religioso260 diasMarcar festas e rituais religiosos
Civil365 diasOrientar a agricultura e o controle da natureza

9Astecas: o império de Tenochtitlán

Os astecas (ou mexicas, como eles mesmos se chamavam) vieram do norte do atual México. Assim como os maias, foram herdeiros culturais dos olmecas.

Entre o século XII e o começo do XIV d.C., migraram para o sul procurando terras férteis e se estabeleceram em uma ilha no Lago de Texcoco, no centro do México. Durante décadas ficaram submetidos a outro povo local, os tepanecas.

Ali construíram o núcleo do que viraria a cidade de Tenochtitlán. Para sobreviver, criaram ilhas artificiais no lago, chamadas chinampas, ligadas por pontes à ilha principal. Assim conseguiram plantar mais e a população cresceu.

Com mais gente e mais força, os astecas se revoltaram e derrotaram os tepanecas. Depois passaram a dominar a região e a conquistar outros territórios.

Exemplos

  • Chinampas: ilhas artificiais feitas dentro do lago para plantar. Elas existem até hoje no México!

9.1O Império Asteca e a capital

No império asteca, Tenochtitlán era a capital e o centro de uma aliança com outras duas cidades, Texcoco e Tlacopan. Essa aliança deu grande força militar ao império.

As terras conquistadas foram divididas em 38 províncias. Elas tinham que pagar tributos (uma espécie de imposto) e prestar homenagem ao deus asteca Huitzilopochtli. Mesmo assim, muitos povos dominados mantinham autonomia política e podiam escolher seus governadores.

Tenochtitlán ocupava cerca de 15 km² e tinha aproximadamente 175 mil habitantes. Tinha enormes edifícios, vários templos e um sistema hidráulico avançado: canais e diques contra as enchentes e aquedutos para levar água potável.

Para os astecas, a cidade era o centro do Universo. Ela era dividida em quatro regiões, e essa divisão tinha a ver com suas crenças religiosas. Grandes calçadas ligavam a cidade à terra firme, fora do lago.

Exemplos

  • A Tríplice Aliança: Tenochtitlán + Texcoco + Tlacopan = a força militar que sustentava o império.

Tenochtitlán em números

ItemDado
ÁreaCerca de 15 km²
PopulaçãoCerca de 175 mil habitantes
Divisão interna4 regiões (ligadas às crenças religiosas)
Províncias do império38
Obras contra enchentesCanais e diques
Abastecimento de águaAquedutos

9.2Sociedade asteca

No começo, a sociedade asteca era bem igualitária, formada quase só por camponeses guerreiros. Mas com o surgimento de Tenochtitlán ela ficou hierarquizada e complexa.

No topo estava o tlatoani, o imperador, que governava por meio de uma monarquia teocrática (governo de um rei ligado à religião). Logo abaixo vinham os tecuhtli: chefes militares, principais sacerdotes e funcionários públicos mais importantes.

Depois vinham os pochteca, grandes negociantes com direitos especiais, como viajar por longas distâncias. Em seguida, os macehualli: camponeses, trabalhadores urbanos e pequenos comerciantes, sem autoridade política, religiosa ou militar.

Na base estavam os tlacotli: servos ou escravizados, que não recebiam nada pelo trabalho e eram considerados propriedade de seu dono.

Exemplos

  • Montezuma II foi líder dos astecas entre 1502 e 1520. No seu governo o império chegou ao auge econômico e militar — e também ao fim, com a invasão dos espanhóis.

Pirâmide social asteca

NomeQuem eram
TlatoaniImperador; governava por monarquia teocrática
TecuhtliChefes militares, principais sacerdotes e altos funcionários; apoiavam o imperador
PochtecaGrandes negociantes, com direito de viajar por longas distâncias
MacehualliCamponeses, trabalhadores urbanos e pequenos comerciantes
TlacotliServos ou escravizados, sem remuneração e considerados propriedade

9.3Religião asteca e a guerra

Os astecas eram politeístas. Seus deuses representavam elementos da natureza, como os céus, as águas, as florestas e os animais.

O deus mais importante era Huitzilopochtli, o deus da guerra, adorado no templo central de Tenochtitlán, onde recebia sacrifícios humanos. Outros deuses importantes eram Tezcatlipoca (ligado à constelação da Ursa Maior), Quetzalcóatl (a Serpente Emplumada) e Chicomecoatl, a deusa do milho, chamada de deusa das sete espigas.

Eles acreditavam que o Universo já tinha passado por várias criações e destruições. O mundo em que viviam era o Quinto Sol, e os quatro mundos anteriores teriam sido destruídos pelos deuses para punir os humanos. Por isso faziam sacrifícios: para acalmar os deuses e evitar o fim do Quinto Sol.

A guerra era muito importante e existiam dois tipos. Nas guerras de conquista, usavam todas as armas (arcos, flechas, zarabatanas, lanças, machados e porretes) para conseguir tributos, terras e prisioneiros. Nas guerras religiosas, evitavam ferir muito o inimigo, porque ele seria oferecido em sacrifício — então usavam equipamentos para imobilizar e capturar sem causar grandes danos.

Exemplos

  • O macuahuitl era uma arma asteca conhecida como espada de madeira: nas laterais eram encaixadas lâminas de obsidiana, uma rocha vulcânica muito cortante.

Os dois tipos de guerra asteca

TipoObjetivoComo lutavam
Guerra de conquistaObter tributos, terras e prisioneiros para escravizarUsavam todas as armas, sem limites
Guerra religiosaCapturar pessoas para sacrificar aos deusesEvitavam ferir gravemente; imobilizavam e capturavam

Principais deuses astecas

Deus/DeusaDo que era deus(a)
HuitzilopochtliGuerra; deus mais importante, adorado no templo central
TezcatlipocaCorrespondia à constelação da Ursa Maior
QuetzalcóatlA Serpente Emplumada (herdado dos teotihuacanos)
ChicomecoatlSubsistência e milho; sete serpentes em náuatle

9.4Cultura, alimentação e escrita asteca

A sociedade asteca girava em torno do milho, principal alimento do dia a dia. Ele era consumido como farinha, papa cozida, tortilhas e tamales. Também comiam semente de chia e plantas silvestres.

Eles cultivavam feijão, algodão, pimenta, abóbora, tomate e cacau, um dos produtos mais valiosos. Carne era rara e só aparecia em ocasiões especiais: cervos, coelhos selvagens, perus, cães domesticados e peixes.

Fabricavam cerâmica (para conservar produtos), tecidos e ferramentas. O comércio acontecia perto e longe, formando uma rede que ligava vários territórios da Mesoamérica.

Os astecas criaram técnicas de arquitetura complexas para erguer grandes pirâmides e desenvolveram um sistema de escrita baseado em desenhos. Uma mesma palavra podia ser representada por um ou mais símbolos, dependendo do contexto. Dessa escrita nasceram os códices: textos manuscritos ricamente ilustrados que resumiam aspectos históricos, culturais e sociais. Muitos foram destruídos na colonização europeia, mas alguns sobreviveram e nos ajudam a conhecer esse povo.

Exemplos

  • Exemplos da escrita asteca: casa era representada por um único símbolo; desenhar podia aparecer como uma mão segurando um instrumento de escrita; turquesa mudava de desenho conforme o sentido (a pedra preciosa, o trabalho com a turquesa ou a planta com esse nome).

10Quadro-resumo: comparando as civilizações

Este quadro reúne as principais informações de cada civilização estudada no capítulo. Use-o para revisar rapidinho antes da prova!

Repare que quase todas construíram pirâmides, praticavam agricultura e tinham sociedades estratificadas (divididas em camadas). As grandes diferenças aparecem no lugar onde viveram, na escrita e no tipo de governo.

Exemplos

  • Dica de memorização: povos andinos (América do Sul) = Caral, Nazca, Chimu e Inca. Povos mesoamericanos (México e América Central) = Olmeca, Teotihuacana, Maia e Asteca.

Resumo geral das civilizações do capítulo

CivilizaçãoOnde e quandoOrganização socialArte e arquiteturaCultura, religião e economia
CaralVale do Supe, atual Peru, por volta de 3000 a.C.Estratificada, com poder centralizadoPirâmides escalonadas de pedra e argamassa; casas de taipaAgricultura, pesca e comércio; quipo; tecidos de algodão colorido; geoglifos; ágrafa
NazcaAtual Peru, 100 a.C. a 700 d.C.Governo teocrático, com sacerdotes poderososCerâmica colorida, tecidos e geoglifos gigantesAgricultura com canais; astronomia; religião muito forte
IncaAndes, do Peru até Equador, Bolívia, Colômbia, Chile e Argentina (séc. XIII-XVI)Fortemente hierárquica, do Sapa Inca aos camponeses do aylluPedras encaixadas sem argamassa; Machu Picchu; Caminho RealSem escrita (usavam quipo); deus Inti (Sol); agricultura, ourivesaria, lhamas e alpacas
OlmecaGolfo do México, 1200 a.C. a 400 a.C.Elite religiosa no alto das colinas; pobres na periferiaCabeças gigantes de basalto; primeira pirâmide da América do Norte/CentralReligião xamânica; culto ao jaguar; calendário; escrita em hieróglifos; jogo da pelota
TeotihuacanaCentro do México; auge por volta de 250 d.C.Estratificada; sacerdotes e comerciantes no topoPirâmide do Sol e Pirâmide da Lua; templos com murais; casas de pedraDeuses Quetzalcóatl e Tláloc; cerimônias com sacrifícios humanos; maior cidade da América pré-hispânica
MaiaPenínsula de Yucatán, Guatemala, Belize e Honduras (1800 a.C. a séc. X)Cidades-Estado com halach uinic, batabes, aristocratas e povoPirâmides sagradas (Tikal, Chichén Itzá); esculturas e muraisPoliteísta com sacrifícios; escrita em hieróglifos; número zero; dois calendários; milho e cacau
AstecaLago de Texcoco, centro do México (séc. XIV a 1521)Do tlatoani (imperador) até os tlacotli (escravizados)Tenochtitlán com templos, canais, diques e aquedutos; grandes pirâmidesPoliteísta; Huitzilopochtli e o Quinto Sol; chinampas; milho e cacau; escrita em desenhos e códices

11Neste capítulo, você estudou

Vamos recordar os pontos principais:

• A civilização caral, a mais antiga da América, que viveu no Peru e deixou o quipo, o quéchua e os geoglifos.

• Os olmecas e os teotihuacanos, grandes povos antigos do território mexicano, criadores de calendários, hieróglifos, do jogo da pelota e de enormes pirâmides.

• As civilizações inca, maia e asteca, as mais famosas da antiga América — cada uma com sua sociedade hierárquica, sua religião politeísta e suas grandes construções.

Todas elas deixaram um legado que continua vivo hoje: línguas, alimentos como o milho e o cacau, festas, ruínas e conhecimentos científicos.

Exemplos

  • Permanência histórica: a borracha, usada pelos olmecas nas bolas do jogo da pelota, continua sendo usada hoje em bolas, pneus e solas de sapato.

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Capítulo 7 – América: Povos Andinos e Mesoamericanos

Resumo rápido

Capítulo 7 – América: Povos Andinos e Mesoamericanos

Resumo rápido

1Introdução: a América antes de 1492

Antes da chegada dos espanhóis à América, em 1492, o continente já era habitado por muitos povos diferentes. Alguns eram nômades (mudavam de lugar o tempo todo). Outros eram sedentários, ou seja, viviam fixos em aldeias e plantavam.

Com o tempo, surgiram grandes civilizações, com governos organizados e territórios enormes. As mais famosas são os maias, os astecas e os incas — mas elas não foram as primeiras.

Todos os povos que viveram aqui antes de Colombo são chamados de pré-colombianos (ou pré-hispânicos).

Exemplo

  • Exemplos de povos pré-colombianos: olmecas, zapotecas, toltecas, maias, astecas e incas.

2Caral: a civilização mais antiga da América

A civilização caral surgiu por volta de 3000 a.C., no Vale do Supe, no atual Peru, perto da Cordilheira dos Andes. É a mais antiga do continente americano e uma das mais antigas do mundo, junto com Egito, Suméria, China e Índia.

Caral durou cerca de mil anos e teve cerca de 20 cidades. A principal, chamada Caral, chegou a ter 3 mil moradores.

2.1A cidade e a economia

A cidade tinha uma parte baixa (anfiteatro e casas) e uma parte alta (prédios públicos e casas grandes). Foram construídas pirâmides escalonadas (em forma de degraus), feitas com pedra e argamassa, e também casas de taipa (parede de barro amassado com varas de madeira).

As pirâmides eram construídas seguindo a posição dos astros, o que mostra conhecimento de Astronomia. As pessoas viviam da agricultura e da pesca, e o cultivo do algodão colorido permitiu uma grande produção de tecidos, cestos e bolsas.

Essa produção especializada indica uma sociedade estratificada (dividida em grupos sociais) e com poder centralizado.

2.2Legado de caral

Não se sabe ao certo por que caral acabou. A hipótese mais aceita é que mudanças no clima prejudicaram a produção de alimentos e as pessoas migraram.

Caral deixou heranças importantes: a língua que ali se falava seria uma forma antiga do quéchua (idioma oficial hoje no Peru, na Bolívia e no Equador). Também criou o quipo, um conjunto de cordões com nós usado para guardar informações e fazer contas — a posição e a quantidade de nós tinham significado.

A sociedade caral era ágrafa, ou seja, não tinha escrita; por isso o quipo era essencial. Caral também fazia geoglifos, figuras desenhadas no chão que só se veem de cima.

Exemplo

  • Um nó em certo cordão do quipo podia indicar a quantidade de milho colhida em um ano.

2.3Nazca (para saber mais)

A civilização nazca viveu no atual Peru, entre 100 a.C. e 700 d.C., em torno da cidade de Cahuachi. Vivia sob um governo teocrático (governo comandado pelas regras de uma religião).

Os nazcas viviam da agricultura, construíram canais de água e ficaram famosos pelos centenas de geoglifos no deserto, tão grandes que só podem ser vistos do alto.

Exemplo

  • Geoglifos nazcas representam animais como macaco, beija-flor, aranha e lhama.

3Incas: o mais famoso povo andino

Os incas se formaram nos Andes, na região de Cusco (palavra quéchua que significa umbigo do mundo), no atual Peru. A expansão começou no século XIII.

Antes deles existia por perto o Império Chimu, que dominava o litoral e tinha a cidade de Chan Chan (cerca de 80 mil habitantes). No século XV, os chimus foram conquistados pelos incas.

Em seu auge, o Império Inca tinha mais de 1 milhão de km² e cerca de 10 milhões de pessoas, alcançando terras do Equador, Bolívia, Colômbia, Chile e Argentina.

3.1Sociedade inca

A sociedade era muito hierárquica: quase não dava para mudar de grupo social. No topo estava o Sapa Inca (o imperador) e sua família, apoiados por sacerdotes, chefes militares e governantes das províncias.

A maior parte do povo era de camponeses, organizados em comunidades chamadas ayllu. O chefe do ayllu, o kuraka, dividia as terras e garantia que todos trabalhassem.

Plantavam batata, quinoa, milho e mandioca, e criavam lhamas e alpacas (transporte, lã e carne). Eram tão bons em metais que ficaram conhecidos como mestres dos metais.

3.2Cultura, religião e o Caminho Real

Os incas não tinham escrita: usavam o quipo, herdado de caral, para controlar produção, comércio e impostos.

Eram excelentes construtores: encaixavam blocos enormes de pedra sem argamassa, como em Machu Picchu, cidade no alto de uma montanha de 2,4 mil metros.

Criaram o Caminho Real, uma rede de estradas de milhares de quilômetros que ligava Cusco a lugares distantes. Nelas circulavam autoridades, mercadorias e os chasquis (mensageiros). Isso permitiu governar de forma centralizada.

A religião tinha vários deuses, e o principal era Inti, o deus do Sol, considerado ancestral do povo inca.

Exemplo

  • Até hoje se comemora o Inti Raymi ("festa do Sol" em quéchua), em Cusco.

4No México: olmecas e teotihuacanos

Vários povos viveram no atual México e na América Central, região chamada Mesoamérica (do sul do México até países como Guatemala, Belize, Honduras e Costa Rica).

4.1Olmecas

A civilização olmeca teve seu auge entre 1200 a.C. e 400 a.C. e é a mais antiga da América do Norte e Central. Cresceu em três cidades no Golfo do México: San Lorenzo, La Venta e Tres Zapotes.

Viviam perto de rios, construíram canais para irrigar o solo e cultivavam milho e pimenta. Ficaram famosos pelas cabeças gigantes de pedra (até 3 metros e mais de 20 toneladas). Em La Venta ergueram a primeira pirâmide da América do Norte e Central.

Moravam em colinas artificiais: a elite na parte alta e os mais pobres na parte baixa e na periferia.

4.2Legado olmeca

Os olmecas estão na base das culturas que vieram depois no México e na América Central.

Sua religião era xamânica: o xamã (feiticeiro) se comunicaria com o mundo sobrenatural em rituais. Cultuavam o jaguar, e acreditavam que os feiticeiros eram esse animal em forma humana.

Seus sacerdotes sabiam Astronomia e criaram um dos primeiros calendários da América, que influenciou maias e astecas. Também criaram uma escrita com hieróglifos, base da escrita maia, e o jogo da pelota.

Exemplo

  • No jogo da pelota, dois times tentavam fazer uma bola de borracha passar por um aro de pedra, tocando-a só com coxas, braços e quadris.

4.3Teotihuacan: a maior cidade do continente

Teotihuacan significa algo como cidade dos deuses na língua náuatle. Ninguém sabe quem a fundou; os primeiros povoados são do século VI a.C., e o auge foi por volta de 250 d.C.

Ela virou uma metrópole com mais de 20 km² e cerca de 200 mil habitantes em 500 d.C., a maior cidade da América pré-hispânica. A sociedade era estratificada, com sacerdotes e comerciantes no topo.

Entre 100 e 250 d.C. foram erguidas a Pirâmide do Sol e a Pirâmide da Lua. Nos templos apareceram as primeiras imagens de Quetzalcóatl (a Serpente Emplumada) e de Tláloc (deus da chuva), depois cultuados pelos astecas.

Entre 600 e 700 d.C., saques e invasões causaram a decadência; por volta de 1000 d.C. a cidade estava abandonada.

Exemplo

  • Importante: no Egito as pirâmides eram túmulos; no México, em geral, serviam para cerimônias religiosas públicas.

5Maias

O povo maia teria surgido por volta de 1800 a.C. e ocupou quase 500 mil km², principalmente na Península de Yucatán (sudeste do México), além de Guatemala, Belize e Honduras.

Entre 300 a.C. e 200 d.C. cresceu muito e formou várias cidades-Estado independentes umas das outras. O auge durou até cerca de 900 d.C.

A cidade de Tikal (atual Guatemala) chegou a 60 mil pessoas e era um grande centro comercial, famosa pelo sílex, pedra usada em ferramentas e armas.

5.1Sociedade e economia maia

A sociedade era hierárquica. No topo ficava o halach uinic, governante supremo de cada cidade-Estado, líder civil, militar e religioso. Ele era ajudado pelos batabes (que governavam cidades dominadas) e por aristocratas. O restante era formado por camponeses, artesãos e comerciantes.

As famílias eram grandes e moravam em um conjunto de casas em volta de um pátio, chamado na. Era ali que as crianças aprendiam os ofícios da família.

A economia vinha da agricultura e do comércio. O milho era a base da alimentação, e o cacau, consumido só pela elite, servia até como moeda.

5.2Religião, escrita e ciência

Os maias eram politeístas (acreditavam em vários deuses), que podiam misturar formas humanas e de animais. Acreditavam que o Universo já tinha passado por criações e destruições, e faziam sacrifícios em templos e altares para agradar os deuses e evitar a destruição do mundo.

Criaram uma escrita com hieróglifos e uma Matemática avançada, incluindo o conceito de número zero — que os europeus da mesma época ainda não usavam.

Tinham dois calendários: um religioso de 260 dias e um civil de 365 dias, que ajudava na agricultura.

A partir do século X a civilização entrou em declínio, por mudanças ambientais, crescimento da população e invasões. Mas seus descendentes vivem até hoje na região.

6Astecas

Os astecas (que se chamavam mexicas) vieram do norte do atual México. Entre os séculos XII e XIV migraram para o sul e se instalaram numa ilha do Lago de Texcoco, no centro do México. Por décadas obedeceram aos tepanecas, até se revoltarem e vencê-los.

Ali construíram Tenochtitlán, sua capital. Para plantar, criaram chinampas: ilhas artificiais no lago, ligadas por pontes.

O império se formou com uma aliança entre Tenochtitlán, Texcoco e Tlacopan, e dividiu as terras conquistadas em 38 províncias, que pagavam tributos (impostos). Muitos povos dominados mantinham certa autonomia política.

Exemplo

  • Tenochtitlán tinha cerca de 15 km², 175 mil habitantes, canais, diques e aquedutos para levar água potável.

6.1Sociedade asteca

No começo era bem igualitária, formada por camponeses guerreiros. Depois de Tenochtitlán, virou muito hierárquica.

No topo estava o tlatoani, o imperador, que governava por uma monarquia teocrática (poder ligado à religião). Abaixo vinham os tecuhtli (chefes militares, sacerdotes e altos funcionários) e os pochteca (grandes comerciantes).

A maioria era formada pelos macehualli (camponeses e trabalhadores urbanos, sem poder político). Na base estavam os tlacotli, servos ou escravizados, sem remuneração.

6.2Religião asteca

Eram politeístas, com deuses ligados à natureza. O principal era Huitzilopochtli, deus da guerra, adorado no templo central de Tenochtitlán, onde faziam sacrifícios humanos. Também cultuavam Tezcatlipoca e Quetzalcóatl (a Serpente Emplumada).

Acreditavam que o mundo em que viviam era o Quinto Sol e que os quatro mundos anteriores foram destruídos pelos deuses. Por isso faziam sacrifícios para evitar mais uma destruição.

Havia dois tipos de guerra: as de conquista, para ganhar terras e tributos, e as religiosas, em que evitavam ferir muito o inimigo, pois ele seria sacrificado aos deuses.

6.3Cultura e escrita

O milho era o alimento principal (farinha, papa, tortilhas e tamales). Também cultivavam feijão, algodão, pimenta, abóbora, tomate e cacau. Carne era rara.

Produziam cerâmica, tecidos e ferramentas, e mantinham uma grande rede de comércio pela Mesoamérica.

Criaram um sistema de escrita baseado em desenhos, em que uma palavra podia ter um ou mais símbolos conforme o contexto. Dele nasceram os códices: textos manuscritos ilustrados. Muitos foram destruídos na colonização europeia, mas alguns sobreviveram.

Exemplo

  • A palavra turquesa podia ser desenhada de formas diferentes: pedra preciosa, trabalho com turquesa ou planta com esse nome.

7Resumo final do capítulo

Neste capítulo você estudou:

Caral, a civilização mais antiga da América (Peru, 3000 a.C.), criadora do quipo e dos geoglifos.

• Os olmecas e os teotihuacanos, povos antigos do México, base cultural de maias e astecas.

• Os incas (Andes, Cusco, Caminho Real), os maias (cidades-Estado, escrita e o zero) e os astecas (Tenochtitlán e chinampas): as civilizações mais famosas da América antes de 1492.

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