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Capítulo 6 – Tradições orientais: China e Índia

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Capítulo 6 – Tradições orientais: China e Índia

Resumo completo

Capítulo 6 – Tradições orientais: China e Índia

Resumo completo

1Apresentação: duas civilizações milenares

A civilização chinesa é uma das mais antigas do mundo. Ela existe há pelo menos 5 mil anos e inventou coisas que usamos até hoje, como o papel, a seda, a bússola e a pólvora.

Ao lado da China fica a Índia, outra nação muito antiga. Lá nasceu o hinduísmo, uma das religiões mais antigas do planeta, com mais de 1,1 bilhão de seguidores.

Hoje, China e Índia são os dois países mais populosos do mundo. Juntos, eles reúnem quase 3 bilhões de pessoas, ou seja, mais de um terço de toda a população da Terra.

Este capítulo mostra como essas duas sociedades se formaram e quais heranças elas deixaram para o mundo.

Exemplos

  • Templo do Céu, em Pequim (China), construído em 1420: ali é possível conhecer a filosofia, a história e a religião do passado chinês.
  • Templo Kapaleeshwarar, na cidade de Chennai (Índia): é dedicado a Shiva, uma divindade hindu.

China e Índia: um primeiro olhar

AspectoChinaÍndia
Idade da civilizaçãoCerca de 5 mil anosCerca de 5 mil anos
Rio que deu origemRio AmareloRio Indo
Grandes invenções/legadosPapel, seda, bússola, pólvora, escrita, imprensaHinduísmo, algodão em tecido, saneamento básico antigo
População atualUma das duas maiores do mundoUma das duas maiores do mundo

2China: da primeira dinastia à república

A civilização chinesa nasceu às margens do Rio Amarelo, o segundo maior rio da China. Ele nasce no Planalto do Tibet, corre cerca de 5,5 mil quilômetros e deságua no Mar Amarelo.

Por volta de 7000 a.C., grupos que antes só caçavam e coletavam aprenderam a plantar. Eles formaram povoados perto do rio e passaram a cultivar trigo, arroz, sorgo e painço. Também criavam porcos e cachorros e faziam vasos de cerâmica para guardar alimentos.

Entre 5000 e 3000 a.C., esses povoados viraram comunidades maiores. No começo eram matriarcais (quem mandava era uma mulher). Depois se tornaram patriarcais, ou seja, a autoridade passou para o pai e, em seguida, para os homens no comando das comunidades.

Por volta de 2200 a.C., um patriarca chamado Yü, o Grande uniu vários pequenos Estados chineses em um só governo e virou rei. Assim nasceu a dinastia Xia, a primeira dinastia chinesa, que governou por quase 500 anos. Os Xia tinham exército com armas de bronze e ergueram muralhas ao redor das cidades.

Exemplos

  • Passo a passo da formação da China: 1) grupos de caçadores e coletores chegam ao Rio Amarelo; 2) aprendem agricultura e formam povoados; 3) povoados viram comunidades maiores (matriarcais → patriarcais); 4) comunidades viram cidades e pequenos Estados; 5) Yü, o Grande, unifica tudo e cria a dinastia Xia (2200 a.C.).

As primeiras dinastias chinesas

DinastiaPeríodo aproximadoDestaque
XiaSéc. XXII a.C. – XVIII a.C.Primeira dinastia; unificação feita por Yü, o Grande; armas de bronze e muralhas
ShangSéc. XVII a.C. – XI a.C.Registros mais antigos da escrita chinesa (ossos e carapaças)
Zhou (ou Chou)Séc. XI a.C. – III a.C.Poder se fragmentou; nobreza ganhou terras e autonomia
QinA partir de 221 a.C.Unificação do império por Chi-Huang-ti, o primeiro imperador
Han206 a.C. – 220 d.C.Auge do comércio da seda; invenção do papel
Qing1644 – 1911Última dinastia; em 1912 a China virou república

2.1A centralização do poder

Durante a dinastia Zhou, os reis governavam com a ajuda de uma nobreza formada por parentes, ministros e generais. Essas pessoas ganharam terras enormes e ficaram muito poderosas.

Com o tempo, essas propriedades viraram Estados independentes. O território chinês se dividiu em vários pequenos reinos, cada um com seu rei. O poder central ficou fraco.

Entre 475 a.C. e 221 a.C., esses Estados guerrearam entre si pelo controle da região. Essa época ficou conhecida como Período dos Reinos Combatentes.

Em 221 a.C., o reino Qin venceu todos os outros. Ele tinha cavalaria e armas de ferro, uma novidade para a época. Seu governante, Ying Zheng, virou o primeiro imperador chinês e adotou o nome de Chi-Huang-ti, que significa "Primeiro Soberano Augusto".

Exemplos

  • Por que a nobreza causou a fragmentação? Os reis Zhou deram terras à nobreza para ganhar apoio → a nobreza ficou rica e forte → as terras viraram Estados autônomos → o poder central perdeu o controle → começaram as guerras dos Reinos Combatentes.

Medidas de Chi-Huang-ti para unificar a China

MedidaPara que servia
Dividiu a China em 36 províncias (com prefeituras, distritos e aldeias)Facilitar o controle administrativo do território
Nomeou pessoalmente os funcionários das provínciasTirar o poder dos donos de terras e concentrá-lo no imperador
Unificou pesos e medidasFacilitar o comércio e a cobrança de impostos
Uniformizou o sistema de escritaTodos poderiam se comunicar da mesma forma
Construiu estradas e canaisLigar regiões distantes e melhorar a irrigação e a produção agrícola
Criou impostos e leisOrganizar e sustentar o império
Iniciou a Muralha da ChinaProteger o império de invasões pelo norte

2.2"Dragão de pedra": a Grande Muralha da China

A Grande Muralha começou a ser construída no reinado de Chi-Huang-ti. Ela uniu muros menores que líderes diferentes já tinham levantado para defender seus territórios.

Além de proteger contra invasores, a muralha era um símbolo: mostrava a união dos reinos chineses e o poder do império.

Milhões de operários trabalharam nela, muitas vezes em troca da isenção de impostos. Muitos morreram por causa das péssimas condições de trabalho.

A construção durou cerca de dois mil anos e usou tijolos, pedras, barro e madeira.

Exemplos

  • Comunicação entre torres: os soldados queimavam material orgânico e usavam os sinais de fumaça para avisar sobre perigos a longa distância.

Características da Grande Muralha

ItemInformação
Espessura média6 metros
Altura média8 metros
Tempo de construçãoCerca de 2 mil anos
MateriaisTijolos, pedras, barro e madeira
Função das torresVigilância, moradia dos soldados e comunicação por sinais de fumaça
Mão de obraMilhões de operários, muitos isentos de impostos; muitos morreram nas obras

2.3O mausoléu de Chi-Huang-ti e o exército de terracota

Chi-Huang-ti mandou construir um mausoléu (um grande túmulo) para ser enterrado depois de morrer. As obras começaram quando ele tinha só 13 anos e ainda era rei do reino Qin.

Em 1974, camponeses cavavam um poço na cidade de Xian e encontraram por acaso partes de estátuas de soldados feitas de terracota (argila cozida). Era um dos maiores tesouros arqueológicos do mundo.

Os arqueólogos acharam 6 mil soldados de terracota em tamanho natural. Cada um tinha um rosto diferente dos outros! Havia também arqueiros, cavalos e carruagens de bronze. Esse exército serviria para proteger o imperador depois da morte.

As estátuas eram pintadas com cores vivas, mas perderam a cor ao entrar em contato com o ar depois de milhares de anos enterradas.

Exemplos

  • Números do mausoléu: área maior que a de um campo de futebol; quase 40 anos de construção; cerca de 700 mil trabalhadores; 6 mil soldados de terracota encontrados.

3Invenções chinesas

Muitas coisas do nosso dia a dia foram inventadas pelos chineses, como o garfo, a tinta, o macarrão e o sino. Várias dessas invenções têm milhares de anos.

As quatro invenções estudadas aqui são muito importantes para o desenvolvimento das sociedades: a escrita, a seda, o papel e a imprensa.

Resumo das principais invenções chinesas do capítulo

InvençãoQuandoComo funcionava / importância
EscritaCerca de 1500 a.C. (dinastia Shang)Inscrições em ossos e carapaças para consultar oráculos; deu origem aos ideogramas
SedaDesde 1500 a.C.; auge na dinastia HanTecido feito com fios do casulo do bicho-da-seda; principal artigo comercial
PapelDinastia Han (206 a.C.–220 d.C.)Criado por T'sai Lun com folhas, cascas e restos de tecido
ImprensaDinastia Sui (581–618)Xilogravura (blocos de madeira) e, no século XI, os tipos móveis de Bi Sheng

3.1A escrita

Os chineses foram um dos primeiros povos a criar um sistema próprio de escrita. Os registros mais antigos são de cerca de 1500 a.C., feitos durante a dinastia Shang, no Vale do Rio Amarelo.

Esses registros são inscrições em ossos de animais e carapaças de tartarugas. Eram perguntas que os reis faziam aos seus ancestrais mortos, ou seja, consultas a um oráculo (o sacerdote que consulta uma divindade e transmite a resposta).

Os sacerdotes faziam as inscrições com um bastão aquecido. O calor provocava rachaduras, e o desenho formado era lido como um "sim" ou um "não".

Com o tempo, esses sinais mudaram e viraram os primeiros ideogramas da língua chinesa. Nesse tipo de escrita, cada símbolo representa uma palavra inteira.

Exemplos

  • A escrita dos ideogramas foi mudando: os símbolos de sol, lua, árvore, pássaro e cavalo tinham uma forma por volta de 1500 a.C., outra em 213 a.C. e outra em 200 d.C. — cada vez mais simples e parecidos com os atuais.

3.2A seda

O Bombyx mori é uma mariposa típica do norte da China. Numa fase da vida ela é lagarta (o bicho-da-seda) e produz fios finíssimos para fazer seu casulo.

Os chineses descobriram que esses fios eram ótimos para fazer um tecido: a seda. Há indícios de produção desde 1500 a.C., mas foi na dinastia Han que a seda virou o principal artigo comercial da China.

A seda era vendida a outros povos e usada nas roupas dos imperadores e dos mais ricos. Em ocasiões especiais, servia de suporte para escrever e pintar.

A receita da seda era segredo de Estado: quem contasse a estrangeiros poderia ser condenado à morte por tortura. Mesmo assim, a informação vazou e, no século III, os japoneses já produziam seda.

Exemplos

  • Passo a passo da produção da seda: 1) mergulhar os casulos em água quente; 2) soltar os fios com varetas de madeira e enrolá-los num fuso; 3) pintar os fios e levá-los ao tear (um casulo dá até mil metros de fio); 4) bater no tecido pronto com hastes de madeira para deixá-lo macio.

Etapas da produção da seda

EtapaO que era feito
Casulos mergulhados em vasilha com água quente
Fios soltos com varetas e enrolados em um fuso
Fios pintados e levados ao tear para fabricar o tecido
Tecido batido com hastes de madeira para ficar mais macio

3.3A Rota da Seda

A Rota da Seda era um conjunto de estradas que saía da cidade chinesa de Chang'an (a atual Xian), chegava ao Mar Negro e seguia até Veneza, na atual Itália. Havia também caminhos que levavam ao Mar Mediterrâneo.

Era um percurso muito difícil: atravessava desertos, estepes (regiões planas de vegetação rasteira), montanhas e despenhadeiros. Os viajantes enfrentavam calor de dia, frio à noite, tempestades de areia, nevascas, chuvas fortes e assaltos.

Por isso, os comerciantes viajavam em grupos de 100 a 500 pessoas. Uma viagem podia durar até um ano, percorrendo de 25 a 45 quilômetros por dia.

Além de mercadorias, a rota levava de um lado para outro invenções, ideias e costumes. Ela ligou o Oriente e o Ocidente.

Exemplos

  • Produtos transportados na Rota da Seda: seda (o principal), perfumes, especiarias, peças de cerâmica, chá, pólvora e pedras preciosas, carregados no lombo de camelos, bois, cavalos e mulas.

A Rota da Seda em números e características

AspectoInformação
Ponto de partidaChang'an (atual Xian), na China
DestinosMar Negro, Veneza (Itália) e Mar Mediterrâneo
Tamanho dos gruposDe 100 a 500 pessoas (para evitar roubos)
Duração da viagemAté um ano
Distância por diaDe 25 a 45 km
ImportânciaTroca de mercadorias, invenções, ideias e costumes entre Oriente e Ocidente

3.4Enquanto isso... A Era Yayoi no Japão

Enquanto a China vivia sob a dinastia Han, o Japão passava por seu primeiro grande período de desenvolvimento: a Era Yayoi.

Ela começou por volta de 300 a.C. e foi até cerca de 300 d.C. Foi marcada pela forte influência das culturas chinesa e coreana.

Nesse período, os japoneses começaram a cultivar arroz e a tecer. Passaram a fabricar objetos de bronze e ferro no lugar dos antigos artefatos de pedra e madeira, e criaram uma escrita ideográfica.

A população japonesa cresceu bastante, recebendo muitos imigrantes, boa parte deles chineses.

Exemplos

  • Um sino de bronze produzido na Era Yayoi mostra o domínio japonês da metalurgia nessa época.

3.5O papel e a imprensa

O papel foi inventado pelos chineses durante a dinastia Han (206 a.C.–220 d.C.). A invenção é atribuída ao oficial chinês T'sai Lun, que viveu no século I d.C.

O papel era feito numa tina cheia de água, onde se misturavam folhas, cascas de árvores e restos de tecidos. A mistura era aquecida, prensada até virar uma pasta, passada por uma peneira e posta para secar.

Com o papel, os chineses criaram técnicas para imprimir textos. Nascia a imprensa e, com ela, a publicação de livros. O livro mais antigo de que se tem notícia foi impresso sobre um pergaminho (couro de animal preparado para escrever) no século IX, achado numa caverna do nordeste da China.

A primeira técnica foi a xilogravura, que usava blocos de madeira entalhados. Depois, no século XI, Bi Sheng criou os tipos móveis, peças de cerâmica com caracteres que podiam ser reorganizadas para formar qualquer texto.

Exemplos

  • Xilogravura, passo a passo: I) o artesão escrevia os caracteres com tinta numa folha de papel e a colava, ainda úmida, sobre um bloco de madeira, deixando os caracteres decalcados; II) retirava o papel e entalhava a madeira para os caracteres ficarem em relevo; III) passava tinta sobre a superfície elevada; IV) prensava uma folha de papel sobre o bloco, imprimindo o texto — e podia repetir várias vezes.
  • Tipos móveis de Bi Sheng, passo a passo: I) sobre uma placa de ferro ele passava uma mistura colante de resina de pinho e prendia uma moldura; II) dispunha os tipos (cerca de 3 mil peças de argila cozida) lado a lado, em fileiras verticais, e passava tinta; III) colocava a folha de papel e fazia pressão suave; IV) ao retirar o papel, a página estava impressa.

Xilogravura x Tipos móveis

TécnicaQuandoMaterialVantagem
XilogravuraDinastia Sui (581–618)Blocos de madeira entalhadosPermitia várias cópias do mesmo texto
Tipos móveisSéculo XI, por Bi ShengPeças de argila cozida (cerca de 3 mil caracteres)Os caracteres podiam ser reorganizados para textos diferentes
Imprensa de GutenbergSéculo XV, AlemanhaTipos de chumboAperfeiçoou os tipos móveis e popularizou o livro impresso

4Índia: dravidianos e árias

Assim como a China, o subcontinente indiano (região do sul da Ásia formada por Índia, Paquistão, Nepal e Butão) abrigou uma das civilizações mais antigas do planeta: a civilização harapense.

Ela se organizou há cerca de 5 mil anos no Vale do Rio Indo, no atual território do Paquistão.

Na primavera, o Rio Indo transbordava por causa do degelo da Cordilheira do Himalaia. A inundação trazia sedimentos que deixavam o solo fértil, ótimo para a agricultura.

Às margens do rio surgiram povoados que viviam da agricultura e da criação de carneiros, cabras e bois. Esses povoados cresceram e viraram cidades, como Harappa (que deu nome à civilização) e Mohenjo-daro. Nelas vivia um povo chamado dravidiano.

Exemplos

  • Os habitantes do Vale do Rio Indo foram os primeiros a cultivar algodão e a transformar suas fibras em tecido — uma conquista importante para toda a humanidade.

4.1Harappa e Mohenjo-daro

As cheias do Rio Indo eram muito fortes. Para enfrentar as enchentes anuais, os dravidianos construíram as cidades no alto de plataformas de até 12 metros de altura.

Para se proteger de inimigos, cercaram as cidades com altas muralhas. As cidadelas mediam cerca de 400 metros por 200 metros e foram feitas com planejamento urbano sofisticado — ou seja, tudo era pensado antes de construir.

As casas eram de tijolos de barro, com um pátio central e podiam ter até três andares. O grande diferencial era o saneamento básico: tinham água encanada e banheiros com coleta de esgoto, algo raríssimo naquela época.

As casas também eram locais de trabalho: ali se produziam tecidos, cerâmica, peças de cobre e joias, vendidos até em cidades distantes como Suméria e Acad, na Mesopotâmia.

Exemplos

  • Por volta de 2300 a.C., Harappa tinha cerca de 35 mil habitantes. No século XVIII a.C., a civilização entrou em declínio e a população foi abandonando o Vale do Rio Indo, indo para o leste, rumo ao Vale do Rio Ganges.
  • Uma hipótese para o declínio: o Rio Sarasvati, que passava perto das cidades, secou por volta de 2000 a.C. por causas naturais, o que teria desertificado a região.

Características de Harappa e Mohenjo-daro

AspectoDescrição
LocalizaçãoVale do Rio Indo (atual Paquistão), a cerca de 500 km uma da outra
Proteção contra cheiasConstruídas sobre plataformas de até 12 metros de altura
Proteção contra inimigosCercadas por altas muralhas
Tamanho das cidadelasCerca de 400 m x 200 m
CasasTijolos de barro, pátio central, até três andares
NovidadeÁgua encanada e banheiros com coleta de esgoto
MistérioA escrita dravidiana existe, mas até hoje não foi decifrada

4.2A chegada dos árias

Chamamos de indo-europeus um conjunto de povos que tinham uma origem linguística comum, ou seja, línguas parecidas. Eles viviam entre o Mar Negro e o Mar Cáspio.

Entre 2500 a.C. e 2000 a.C., vários desses povos migraram para outras regiões da Europa e da Ásia. Um deles, os árias (ou arianos), chegou por volta de 2000 a.C. ao Vale do Rio Indo e, por volta de 1500 a.C., se estabeleceu no Vale do Rio Ganges. Eles falavam o sânscrito.

Os árias eram nômades e procuravam terras para seus rebanhos. Com o tempo, ficaram sedentários (fixos num lugar), formaram povoados e passaram a cultivar arroz, cevada, trigo, cana-de-açúcar e algodão.

As aldeias eram lideradas por um chefe, o rajá, e por um sacerdote. Era uma sociedade patriarcal, em que o poder do patriarca não podia ser questionado. Uma assembleia de anciãos e outra de chefes de família ajudavam o rajá a decidir.

Exemplos

  • Os árias eram politeístas (acreditavam em muitos deuses), quase todos ligados à natureza: Indra (o mais importante: senhor do céu, da chuva, do trovão e da guerra), Surya (deus-Sol), Agni (deus do fogo) e Yama (deus da morte).

Dravidianos x Árias

AspectoDravidianosÁrias
OrigemHabitantes originais do Vale do Rio IndoIndo-europeus vindos da região entre o Mar Negro e o Mar Cáspio
ÉpocaCivilização harapense, há cerca de 5 mil anosChegaram por volta de 2000 a.C.
Cidades/lugaresHarappa e Mohenjo-daroVale do Rio Indo e depois Vale do Rio Ganges
Modo de vidaUrbanos, agricultores, artesãos e comerciantesPrimeiro nômades pastores, depois agricultores sedentários
Língua/escritaEscrita não decifrada até hojeSânscrito
ReligiãoPouco conhecidaPoliteístas; deram origem ao hinduísmo

4.3O hinduísmo

A mistura das crenças dos árias com as de outros povos da região deu origem ao hinduísmo. Hoje ela é seguida por cerca de 80% da população indiana.

Seus fundamentos estão registrados no Rig Veda, uma coletânea de 1028 hinos religiosos.

Para os hindus, o Universo está sempre se renovando: é destruído e reconstruído com frequência. Três deuses cuidam disso: Brahma (criador), Vishnu (preservador) e Shiva (criador e destruidor ao mesmo tempo).

Por causa desse princípio de renovação, o hinduísmo acredita na reencarnação: existe um ciclo constante de nascimento e renascimento, que só termina quando a pessoa alcança a libertação total, chamada moksha.

Exemplos

  • A estátua de Lord Shiva, no Templo de Murudeshwara (estado de Karnataka, Índia), tem 37 metros de altura e é considerada a segunda mais alta do mundo. Levou cerca de dois anos para ser construída.

Os três deuses principais do hinduísmo

DeusFunção
BrahmaCriador
VishnuPreservador
ShivaCriador e destruidor ao mesmo tempo

4.4As castas indianas

Com o tempo, os povoados arianos viraram vilarejos e depois reinos. Ao mesmo tempo, os sacerdotes criaram rituais religiosos muito complexos, o que lhes deu tanto poder que passaram a ser considerados mais importantes que os rajás.

Esses sacerdotes, chamados brâmanes, criaram uma nova ramificação do hinduísmo, o bramanismo, e instauraram um rígido sistema de castas.

Casta é cada segmento da sociedade que forma um grupo fechado, com pessoas que exercem a mesma atividade profissional. Cada casta garante direitos e privilégios que as outras não têm.

No sistema de castas não existe mobilidade social: quem nasce numa casta fica nela para sempre, e seus filhos e netos também. Apoiados no Rig Veda, os sacerdotes dividiram a sociedade em quatro castas principais, sendo as mais importantes ocupadas pelos árias.

Exemplos

  • Os reinos indianos guerreavam pelo controle da região, e essas guerras viraram poemas passados de boca em boca. Um dos mais conhecidos é o Mahabharata, que narra uma guerra do século XII a.C. envolvendo dez reinos.
  • A influência do Rig Veda foi tão grande que o período de domínio dos arianos ficou conhecido como Era Védica.

As castas da sociedade indiana

GrupoQuem fazia parte
BrâmanesSacerdotes; conheciam os rituais e sacrifícios para viver de acordo com as escrituras
XátriasGuerreiros, nobres e pessoas encarregadas de administrar o Estado
VaixásComerciantes e proprietários de terras
SudrasArtesãos e trabalhadores manuais não arianos
Párias (fora das castas)Excluídos da sociedade; sem direito de estudar, ouvir os hinos religiosos ou viver nas cidades; faziam os trabalhos mais duros, como coletar lixo e recolher fezes

5+Atitude – O sistema de castas e a busca pelos direitos (Protagonismo)

O sistema de castas durou muito tempo na Índia. Quem estava no poder usava os escritos religiosos para incentivar esse sistema e torná-lo ainda mais rígido.

Como não havia mobilidade social, os mais pobres não tinham chance de melhorar de vida e os mais ricos não perdiam seus privilégios.

Quando a Índia se tornou independente do domínio britânico, a inquietação da população — principalmente das camadas mais baixas — ajudou a moldar a nova Constituição de 1950, que garantiu os mesmos direitos a todos os indianos.

Mesmo assim, décadas depois, o preconceito e a exclusão continuam. Os dalits (nome atual dos párias) ainda enfrentam falta de oportunidades e até violência. Houve avanços, como cotas na educação e no trabalho e dalits na política e no meio empresarial, mas as conquistas ainda são pequenas diante da desigualdade.

Exemplos

  • Constituição da Índia (1950), Art. 15, parágrafo 1º: *O Estado não deve discriminar qualquer cidadão em razão apenas de sua religião, raça, casta, sexo, local de nascimento ou qualquer local que seja.*
  • Notícia de 2025: apesar de o governo indiano ter proibido em 2020 a limpeza manual de excrementos, o trabalho continua e é feito em grande parte pelos dalits, que são 77% dos 38 mil trabalhadores dessa categoria. Ou seja: a lei existe, mas não é totalmente cumprida.
  • Constituição do Brasil (1988), Art. 6º: são direitos sociais a educação, a saúde, a alimentação, o trabalho, a moradia, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e à infância e a assistência aos desamparados.

Antes e depois da Constituição indiana de 1950

SituaçãoAntes de 1950Depois de 1950
Mobilidade socialInexistente: quem nascia numa casta ficava nela para sempreLei garante os mesmos direitos a todos
Direitos dos párias/dalitsNão podiam estudar, ouvir hinos religiosos nem morar nas cidadesDireito à educação, ao trabalho e à igualdade
Realidade práticaDiscriminação aberta e apoiada pelos escritos religiososPreconceito ainda existe; sistema de cotas e alguns dalits na política e nas empresas

6Neste capítulo, você estudou

Este é o resumo final dos assuntos do capítulo. Use esta lista para revisar antes da prova e conferir se você lembra de cada item.

Se algum tópico ainda parecer difícil, volte à seção correspondente e leia de novo com calma.

Exemplos

  • Perguntas para testar você mesmo: Quem foi Yü, o Grande? O que foi o Período dos Reinos Combatentes? Quais medidas Chi-Huang-ti tomou para unificar a China? Como surgiu a escrita chinesa? Para que servia a Rota da Seda? Quem eram os dravidianos e os árias? Como surgiu o hinduísmo? O que é uma casta?

Checklist de revisão

TemaO essencial para lembrar
Origens da civilização chinesaRio Amarelo, agricultura, matriarcado → patriarcado, Yü, o Grande, dinastia Xia (2200 a.C.)
Início do Império ChinêsFragmentação na dinastia Zhou, Reinos Combatentes (475–221 a.C.), vitória do reino Qin, Chi-Huang-ti
Invenções chinesasEscrita (ideogramas), seda, papel (T'sai Lun) e imprensa (xilogravura e tipos móveis)
Origens da civilização hinduCivilização harapense no Vale do Rio Indo; Harappa e Mohenjo-daro
Dravidianos e áriasDravidianos: construtores das cidades; árias: indo-europeus, falavam sânscrito, lideranças rajás
Hinduísmo e castasRig Veda, Brahma/Vishnu/Shiva, reencarnação e moksha; brâmanes, xátrias, vaixás, sudras e párias

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Capítulo 6 – Tradições orientais: China e Índia

Resumo rápido

Capítulo 6 – Tradições orientais: China e Índia

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1Visão geral do capítulo

A China e a Índia são duas civilizações muito antigas, com cerca de 5 mil anos de história. Elas deixaram heranças que usamos até hoje.

Da China vieram invenções como o papel, a seda, a bússola e a pólvora. Da Índia veio o hinduísmo, uma das religiões mais antigas do mundo.

Hoje, China e Índia são os dois países mais populosos do planeta. Juntos, têm quase 3 bilhões de pessoas.

2China: da primeira dinastia à república

A civilização chinesa nasceu às margens do Rio Amarelo, no norte do território. Por volta de 7000 a.C., grupos de caçadores aprenderam a plantar (trigo, arroz, sorgo, painço) e formaram povoados.

No começo, essas comunidades eram matriarcais (a mulher era a autoridade). Depois se tornaram patriarcais, com o pai no comando. Os povoados viraram cidades e depois pequenos Estados.

Por volta de 2200 a.C., o patriarca Yü, o Grande uniu esses Estados e criou a dinastia Xia, a primeira da China. Depois vieram as dinastias Shang e Zhou.

2.1A centralização do poder

Durante a dinastia Zhou, os nobres ganharam muitas terras e ficaram poderosos. Suas propriedades viraram Estados independentes e a China se fragmentou (dividiu).

Entre 475 a.C. e 221 a.C., esses Estados guerrearam entre si. Esse tempo é chamado de Período dos Reinos Combatentes.

Em 221 a.C., o reino Qin venceu todos, porque tinha cavalaria e armas de ferro. Seu governante virou o primeiro imperador chinês, com o nome de Chi-Huang-ti ("Primeiro Soberano Augusto").

Exemplo

  • Medidas de Chi-Huang-ti para unificar o país: dividiu a China em 36 províncias, unificou pesos e medidas, padronizou a escrita, construiu estradas e canais e criou impostos e leis.

2.2A Muralha da China e o mausoléu

Para proteger o império de invasões, Chi-Huang-ti mandou unir muros menores do norte. Assim começou a Muralha da China, com cerca de 6 m de espessura e 8 m de altura.

Milhões de operários trabalharam nela, muitos morreram pelas más condições. A obra levou cerca de dois mil anos e usou tijolos, pedras, barro e madeira.

O imperador também mandou construir um enorme mausoléu (túmulo). Em 1974, camponeses descobriram nele cerca de 6 mil soldados de terracota em tamanho natural, cada um com um rosto diferente.

3Invenções chinesas

Muitas coisas do nosso dia a dia foram criadas na China: o garfo, a tinta, o macarrão, o sino. As mais importantes foram a escrita, a seda, o papel e a imprensa.

3.1A escrita

Os registros mais antigos são de cerca de 1500 a.C., da dinastia Shang. Eram inscrições em ossos de animais e cascos de tartaruga, feitas para consultar um oráculo (sacerdote que pergunta a uma divindade e transmite a resposta).

O sacerdote aquecia um bastão e encostava no osso. As rachaduras eram lidas como "sim" ou "não".

Com o tempo, esses sinais viraram os ideogramas: símbolos em que cada desenho representa uma palavra inteira.

3.2A seda e a Rota da Seda

A seda é um tecido feito com os fios do casulo da lagarta Bombyx mori. Os chineses mergulhavam o casulo em água quente, soltavam os fios e os levavam ao tear.

A produção era segredo de Estado: quem contasse como se fazia podia ser condenado à morte. Na dinastia Han, a seda virou o principal produto de venda da China.

A Rota da Seda era um conjunto de estradas que ia da cidade de Chang'an (Xian) até o Mar Negro e Veneza. Ela era perigosa (desertos, montanhas, assaltos), mas permitiu trocar mercadorias, invenções e ideias entre Oriente e Ocidente.

Exemplo

  • Pela Rota da Seda passavam camelos e cavalos carregando seda, perfumes, especiarias, cerâmica, chá, pólvora e pedras preciosas.

3.3O papel e a imprensa

O papel foi inventado na dinastia Han e é atribuído ao oficial T'sai Lun (século I d.C.). Ele misturava folhas, cascas de árvore e restos de tecido na água, aquecia, prensava e deixava secar.

Com o papel, surgiu a imprensa. A primeira técnica foi a xilogravura: os caracteres eram entalhados em relevo num bloco de madeira, que era pintado com tinta e prensado no papel.

No século XI, Bi Sheng criou os tipos móveis: peças de argila com um caractere cada, que podiam ser organizadas para formar qualquer texto. No século XV, Gutenberg aperfeiçoou a ideia usando chumbo.

4Índia: dravidianos e árias

No Vale do Rio Indo (hoje Paquistão) surgiu, há cerca de 5 mil anos, a civilização harapense. O rio transbordava na primavera e deixava um solo fértil, bom para a agricultura.

O povo que vivia ali era chamado de dravidiano. Suas duas cidades principais eram Harappa e Mohenjo-daro.

4.1Harappa e Mohenjo-daro

Para escapar das enchentes, os dravidianos construíram as cidades sobre plataformas de até 12 metros de altura e as cercaram com muralhas.

As cidades tinham planejamento urbano: grandes celeiros, casas de tijolo de barro com pátio central e até três andares. O grande diferencial era o saneamento básico, com água encanada e coleta de esgoto — algo raríssimo na época.

Os dravidianos criaram uma escrita que até hoje não foi decifrada. A partir do século XVIII a.C., a civilização entrou em declínio e a população foi abandonando o vale.

4.2A chegada dos árias

Os árias (ou arianos) eram um povo indo-europeu que chegou ao Vale do Rio Indo por volta de 2000 a.C. e depois ao Vale do Rio Ganges. Falavam o sânscrito.

Eram nômades criadores de gado, mas se fixaram e passaram a plantar arroz, trigo, cevada, cana-de-açúcar e algodão. Cada aldeia era chefiada por um rajá e por um sacerdote.

Eram politeístas, ou seja, acreditavam em vários deuses ligados à natureza. O principal era Indra, senhor do céu, da chuva e da guerra.

4.3O hinduísmo

A mistura das crenças dos árias com as dos povos locais deu origem ao hinduísmo, seguido hoje por cerca de 80% dos indianos. Seus fundamentos estão no Rig Veda, uma coletânea de 1028 hinos religiosos.

Para os hindus, o Universo se renova sem parar, sob o cuidado de três deuses: Brahma (criador), Vishnu (preservador) e Shiva (criador e destruidor).

Daí vem a crença na reencarnação: um ciclo de nascer e renascer que só acaba quando a pessoa alcança a libertação total, chamada moksha.

4.4As castas indianas

Os sacerdotes, chamados brâmanes, criaram uma ramificação do hinduísmo, o bramanismo, e um rígido sistema de castas.

Casta é um grupo social fechado, formado por pessoas que exercem a mesma atividade. Não existe mobilidade social: quem nasce numa casta fica nela para sempre, e seus filhos também.

As quatro castas principais eram: brâmanes (sacerdotes), xátrias (guerreiros e nobres), vaixás (comerciantes e donos de terra) e sudras (artesãos e trabalhadores manuais). Fora delas ficavam os párias (ou dalits), excluídos de tudo, sem direito de estudar ou viver nas cidades.

Exemplo

  • A Constituição da Índia (1950) proibiu a discriminação por casta, mas até hoje os dalits fazem os trabalhos mais pesados: em 2025, eram 77% dos trabalhadores da limpeza manual de esgoto.

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