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Capítulo 10 — Grécia dos Períodos Clássico e Helenístico

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Capítulo 10 — Grécia dos Períodos Clássico e Helenístico

Resumo completo

Capítulo 10 — Grécia dos Períodos Clássico e Helenístico

Resumo completo

1Abertura: por que estudar a Grécia Antiga?

A Grécia é um país pequeno, um pouco maior que o estado do Ceará, com cerca de 11 milhões de habitantes. Fica na região dos Bálcãs, na Europa, e sua capital é Atenas.

Mesmo sendo pequena, a Grécia deixou um legado (uma herança cultural) enorme para o mundo ocidental: ideias de política, filosofia, teatro, arte e esportes.

Para entender essa história, precisamos conhecer duas cidades: Esparta e Atenas. Elas foram as pólis (cidades-Estado gregas) mais famosas e mais poderosas.

A rivalidade entre as duas gerou guerras entre os próprios gregos. Esses conflitos enfraqueceram as pólis e abriram caminho para a conquista da Grécia pelos macedônios, no século IV a.C.

Exemplos

  • Exemplo de legado grego que você vê hoje: as Olimpíadas, o teatro, a palavra democracia e prédios com colunas parecidas com as do Parthenon.
  • O Parthenon fica na Acrópole de Atenas e era um templo dedicado à deusa Palas Atena, protetora da cidade.

Ficha rápida do capítulo

TemaDo que trata
EspartaPólis militarizada e oligárquica
AtenasPólis comercial e berço da democracia
Guerras MédicasGregos contra persas
Guerra do PeloponesoAtenas contra Esparta
MacedôniosFilipe II e Alexandre, o Grande; Helenismo

2Esparta e Atenas, as maiores pólis gregas

Os gregos fundaram pólis (cidades-Estado independentes) na Península Balcânica, mas também na Península Itálica, no Norte da África e na Ásia Menor. As principais foram Esparta, Atenas, Tebas, Corinto e Argos.

Esparta e Atenas foram, por muito tempo, as duas pólis mais influentes — e eram bem diferentes uma da outra.

Esparta foi a maior potência militar grega, famosa pela bravura de seus guerreiros. Seu governo era uma oligarquia, palavra que significa governo de poucos: só um pequeno grupo tinha poder político.

Atenas foi o berço da democracia, o regime em que todos os cidadãos participam das decisões. Por causa disso, Atenas virou uma das bases das sociedades modernas.

Exemplos

  • Oligarquia: imagine uma escola onde só 5 alunos decidem tudo para todos. Isso é governo de poucos.
  • Para alguns filósofos gregos, a oligarquia era a forma ruim da aristocracia (que significa governo dos melhores).

Esparta x Atenas — visão geral

AspectoEspartaAtenas
FundadoresDóriosJônios
RegiãoPeloponeso (montanhosa, com pântanos)Ática (montanhosa, perto do mar)
FundaçãoPor volta do século IX a.C.Por volta do século IX a.C.
GovernoOligarquia (e diarquia: dois reis)Monarquia → oligarquia → democracia
Base da economiaTerras trabalhadas por hilotasComércio marítimo e pesca (porto do Pireu)
Marca principalPoder militarPolítica, arte e filosofia

3Esparta

Esparta foi fundada pelos dórios por volta do século IX a.C., no Peloponeso, uma península cheia de montanhas e pântanos. Ela nasceu da união de quatro aldeias vizinhas.

No século seguinte, os espartanos já controlavam um terço de todo o Peloponeso.

Quando os dórios conquistaram a região, tomaram as terras e as dividiram em lotes entre si. Muitos moradores antigos fugiram; os que ficaram foram dominados.

É por isso que a divisão social de Esparta tem tudo a ver com a conquista: quem venceu virou elite, quem resistiu virou servo e quem não resistiu ficou livre, mas sem poder político.

Exemplos

  • Passo a passo da formação de Esparta: 1) os dórios invadem o Peloponeso; 2) tomam as terras; 3) dividem os lotes entre eles; 4) quem resistiu vira hilota (servo); 5) quem não resistiu vira perieco (livre, mas sem direitos políticos).

3.1A sociedade espartana

A população de Esparta era dividida em três grupos.

Os esparciatas (ou espartanos) eram a elite: descendentes dos conquistadores dórios. Eram só cerca de 10% da população, mas tinham todos os privilégios. Não podiam fazer trabalho manual e viviam da renda de suas terras. Só os esparciatas com mais de 30 anos participavam da política.

Os hilotas eram servos que pertenciam ao Estado. Vinham das pessoas que resistiram aos dórios. Perderam terras e direitos, trabalhavam nas terras de Esparta e entregavam metade de tudo o que produziam. Eram a principal força de trabalho e várias vezes se revoltaram; por medo, os espartanos mantinham um clima de terror e chegavam a organizar assassinatos em massa.

Os periecos eram os que não resistiram à invasão. Eram livres, mas não podiam participar da política e eram obrigados a servir no Exército. Viviam na periferia e trabalhavam com comércio e manufatura (atividades proibidas aos esparciatas).

Exemplos

  • Se a cidade tinha 10 mil pessoas, apenas cerca de 1 000 seriam esparciatas (10%). Os outros 9 mil seriam hilotas e periecos.
  • As mulheres espartanas tinham mais direitos que em outras sociedades antigas: participavam de reuniões políticas, cuidavam das finanças da família, treinavam e competiam em esportes. Mesmo assim, o papel mais valorizado era gerar filhos fortes para a guerra.

Os três grupos sociais de Esparta

GrupoQuem eramDireitosTrabalho
EsparciatasDórios conquistadores e descendentes (10% da população)Todos os privilégios; política a partir dos 30 anosProibido trabalho manual; viviam da renda das terras
HilotasPovos que resistiram aos dóriosNenhum; eram bem do EstadoTrabalhavam a terra e entregavam metade da produção
PeriecosPovos que não resistiramLivres, mas sem direitos políticos; serviço militar obrigatórioComércio e manufatura

3.2A organização política de Esparta

Esparta era governada por dois reis ao mesmo tempo, de forma vitalícia (até a morte) e hereditária (passava de pai para filho). Esse regime de dois reis se chama diarquia, e os reis eram chamados de diarcos.

Os reis administravam a pólis e cuidavam da religião e da guerra, mas não tinham poder absoluto: dividiam o governo com três órgãos — a Gerúsia, o Eforato e a Ápela.

A Gerúsia era formada por 28 esparciatas com mais de 60 anos, chamados gerontes. O cargo era vitalício. Eles propunham as leis e julgavam os crimes.

O Eforato tinha 5 magistrados, os éforos, eleitos pela Ápela para 1 ano. No começo tinham pouco poder, mas no século VI a.C. já eram eles que realmente governavam: fiscalizavam os reis, a Gerúsia e a Ápela, e cuidavam da educação.

A Ápela reunia os esparciatas com mais de 30 anos. Votava e aprovava as leis criadas pela Gerúsia e elegia os membros da Gerúsia e do Eforato.

Exemplos

  • Caminho de uma lei em Esparta: a Gerúsia propõe → a Ápela vota e aprova → os éforos fiscalizam se está sendo cumprida.

Órgãos do governo espartano

ÓrgãoQuem participavaDuraçãoFunção
Reis (diarquia)2 reisVitalício e hereditárioAdministrar, comandar a guerra e a religião
Gerúsia28 esparciatas com mais de 60 anos (gerontes)VitalícioPropor leis e julgar crimes
Eforato5 éforos eleitos pela Ápela1 anoFiscalizar reis, Gerúsia e Ápela; cuidar da educação
ÁpelaEsparciatas com mais de 30 anosAssembleiaVotar as leis e eleger gerontes e éforos

3.3A educação militar espartana

Esparta era uma sociedade militarizada: tudo era pensado para formar guerreiros.

Aos 7 anos, os meninos esparciatas saíam de casa e iam morar nos quartéis. Dos 7 aos 12 anos praticavam esportes e aprendiam valores como força, disciplina e bravura.

A partir dos 18 anos o treino ficava muito duro: andavam descalços e nus para engrossar a pele e eram chicoteados até sangrar, para aprender a suportar a dor.

Dos 20 aos 30 anos ficavam nos quartéis esperando ser convocados para a guerra. Só depois dos 30 eram dispensados do serviço, mas até os 60 anos ainda podiam ser chamados.

Os guerreiros gregos eram chamados de hoplitas. Sua armadura pesava cerca de 35 kg, por isso tinham ajudantes que carregavam as armas nas marchas.

Exemplos

  • Equipamento do hoplita: espada de dois gumes, lança de até 2 metros, escudo de madeira coberto de bronze (cerca de 9 kg), couraça de bronze no peito, perneiras de bronze e elmo com penacho.
  • O escudo espartano trazia a letra grega lambda (Λ), símbolo dos espartanos, para que eles se reconhecessem nas batalhas.

Etapas da vida militar do esparciata

IdadeO que acontecia
7 anosSai da família e vai para o quartel
7 a 12 anosEsportes e valores: força, disciplina e bravura
A partir dos 18Treino rigoroso: andar descalço e nu; chicotadas para dominar a dor
20 a 30 anosVive no quartel esperando convocação para a guerra
Depois dos 30Dispensado do serviço; pode participar da política
Até 60 anosAinda pode ser convocado em caso de necessidade

4Atenas

Atenas também foi fundada por volta do século IX a.C., mas por outro povo: os jônios. Ficava na Ática, uma região montanhosa da Península Balcânica.

Como a cidade foi construída perto do mar, ela tinha um porto chamado Pireu. Graças a ele, os atenienses desenvolveram uma sociedade voltada para o comércio marítimo e a pesca.

Enquanto Esparta olhava para a guerra, Atenas olhava para o mar, para o comércio e para as ideias.

Exemplos

  • Comparação simples: Esparta = quartel; Atenas = porto, mercado e praça de debates (a Ágora).

4.1A sociedade ateniense

A sociedade de Atenas tinha três grupos: cidadãos, metecos e escravizados.

Os cidadãos eram os homens livres cujos pais também eram cidadãos. Formavam a menor parte da população, mas tinham todos os direitos civis, políticos e religiosos. Entre eles estavam os eupátridas (famílias aristocráticas donas das melhores terras), pequenos proprietários, camponeses, artesãos e comerciantes.

Mulheres, escravizados e estrangeiros não eram cidadãos. As mulheres tinham vida bem limitada: não votavam, a maioria não podia sair de casa sozinha e suas funções eram servir ao marido, ajudar na educação dos filhos e cuidar da casa.

Os metecos eram os estrangeiros e ex-escravizados que viviam em Atenas. Para os atenienses, estrangeiro era qualquer pessoa nascida fora da pólis — até um grego de Esparta. Não podiam ter terras nem direitos políticos, mas podiam virar cidadãos se prestassem grandes serviços à cidade.

Os escravizados eram a camada mais baixa e, junto com os metecos, formavam a maior parte da população. A maioria era prisioneira de guerra. Como eles faziam o trabalho pesado, os cidadãos tinham tempo livre para a cultura e a filosofia — ou seja, o brilho de Atenas foi construído sobre o trabalho escravo.

Exemplos

  • Um grego nascido em Esparta que fosse morar em Atenas era considerado meteco (estrangeiro).
  • Até os cidadãos mais pobres de Atenas costumavam ter pessoas escravizadas.

Grupos sociais de Atenas

GrupoQuem eramDireitos
CidadãosHomens livres filhos de cidadãos (eupátridas, camponeses, artesãos, comerciantes)Direitos civis, políticos e religiosos
MetecosEstrangeiros e ex-escravizadosLivres, mas sem direitos políticos e sem posse de terras
EscravizadosEm geral prisioneiros de guerraNenhum direito
MulheresEsposas e filhas de cidadãosSem cidadania; papel doméstico e familiar

4.2A política em Atenas: da monarquia à democracia

A democracia não nasceu pronta. Ela foi resultado de mudanças lentas.

No século IX a.C., Atenas era uma monarquia: havia um rei, o basileu, que governava com um conselho de aristocratas (os eupátridas). Isso durou cerca de 200 anos, até os aristocratas tomarem as funções do rei. Assim a monarquia acabou e nasceu um governo oligárquico dos eupátridas.

No poder, os eupátridas tomaram as terras dos pequenos proprietários endividados, e muitos deles viraram escravizados por dívida. Isso gerou muita tensão social e revoltas.

Para acalmar a cidade surgiram os tiranos (governantes que mandavam pela força) e os legisladores (líderes encarregados de mudar as leis).

Sólon, no início do século VI a.C., acabou com a escravidão por dívida, mandou devolver as terras aos antigos donos e enfraqueceu os eupátridas, fortalecendo a classe média.

Clístenes assumiu em 510 a.C. e fez as reformas mais profundas: dividiu a cidade e as regiões próximas em cerca de cem demos (parecidos com distritos ou bairros) e criou dez tribos. Cada tribo era formada por moradores do litoral, do interior e da área urbana ao mesmo tempo. Assim, gente de todos os grupos sociais podia fazer leis, e o poder da aristocracia diminuiu. Nascia a democracia (do grego demos = povo; cracia = governo).

📐 Para guardar

  • democracia = demos (povo) + cracia (governo) → governo do povo
  • oligarquia = oligo (poucos) + arquia (governo) → governo de poucos

Exemplos

  • Como funcionava a votação: bastava levantar a mão. O voto do cidadão rico valia o mesmo que o do cidadão pobre.
  • Cada cidadão podia apresentar um projeto de lei por ano e podia pedir a palavra para falar sobre guerra, paz, impostos etc.

Linha do tempo política de Atenas

ÉpocaRegime / ReformaO que mudou
Séc. IX a.C.MonarquiaGoverno do basileu com conselho de eupátridas
Cerca de 200 anos depoisOligarquia dos eupátridasAristocratas tomam o poder; escravidão por dívida
Início do séc. VI a.C.Reformas de SólonFim da escravidão por dívida; devolução de terras
510 a.C.Reformas de ClístenesCriação dos demos e das 10 tribos; nasce a democracia

4.3Para ir além: diferentes tipos de democracia

A democracia tem cerca de 2 500 anos, mas mudou muito com o tempo. Hoje ela existe em quase cem países, de formas diferentes.

Em Atenas havia a democracia direta (ou participativa): não existia intermediário entre o cidadão e o Estado — o próprio cidadão votava as decisões. Hoje isso aparece em grupos pequenos (reunião de condomínio, associação de bairro) e na Suíça, onde a população vota nas urnas a cada três meses.

No Brasil vigora a democracia representativa: o povo elege representantes (vereadores, deputados, senadores, prefeitos, governadores, presidente) e eles governam em nosso nome.

Por isso votar é tão importante: você está entregando poder a outra pessoa. Antes de escolher, conheça as propostas do candidato, veja se há acusações contra ele e nunca troque seu voto por favores ou presentes.

Exemplos

  • Democracia direta: em Appenzell, na Suíça, os cidadãos votam levantando as mãos numa assembleia na praça.
  • Democracia representativa: no Congresso Nacional, em Brasília, deputados e senadores eleitos pelo povo fazem as leis do Brasil.

Democracia direta x representativa

TipoComo funcionaExemplos
DiretaO cidadão vota diretamente nas decisõesAtenas antiga; Suíça; reunião de condomínio
RepresentativaO povo elege representantes que decidem por eleBrasil e a maioria dos países

5Atenas em guerra: as Guerras Médicas

Entre os séculos V a.C. e IV a.C., Atenas se envolveu em várias guerras. As primeiras foram contra os persas e ficaram conhecidas como Guerras Médicas. O nome vem de medo, um dos povos que formavam o Império Persa.

No século V a.C., os persas tinham o maior império da época: ia do norte da África até o Rio Indo, na fronteira com a Índia. Nessa expansão, conquistaram colônias gregas na Ásia Menor.

No começo os persas respeitaram a autonomia dessas colônias, mas depois passaram a mandar na política local e a cobrar impostos. Revoltados, os gregos se rebelaram sob a liderança da cidade de Mileto.

Os persas reagiram e destruíram Mileto em 494 a.C. Quatro anos depois (490 a.C.), o rei Dario enviou 50 mil soldados, que foram derrotados pelos atenienses na Batalha de Maratona, na Ática.

Em 480 a.C. os persas voltaram com 250 mil homens. Eles chegaram a invadir e incendiar Atenas, mas as tropas de Esparta e Atenas, unidas, expulsaram os invasores.

Exemplos

  • Ordem dos fatos: 1) persas dominam colônias gregas na Ásia Menor; 2) revolta liderada por Mileto; 3) 494 a.C. — Mileto é arrasada; 4) 490 a.C. — vitória grega em Maratona; 5) 480 a.C. — nova invasão; Atenas é incendiada, mas gregos vencem.

Guerras Médicas em números

DataAcontecimentoResultado
494 a.C.Persas atacam a rebelião liderada por MiletoMileto é destruída
490 a.C.Dario invade com 50 mil soldadosVitória ateniense na Batalha de Maratona
480 a.C.Nova invasão persa com 250 mil homensAtenas é incendiada, mas gregos unidos expulsam os persas

6Confederação de Delos e o Século de Péricles

As vitórias contra os persas fizeram de Atenas a maior potência grega. Começava aí o Período Clássico da história da Grécia.

Para se proteger de novos ataques, Atenas liderou em 478 a.C. a criação da Confederação de Delos, uma aliança militar marítima de defesa.

Esparta chegou a participar, mas saiu quando os atenienses começaram a cobrar tributos dos membros e a impor a democracia nas cidades aliadas. Em resposta, Esparta criou a Liga do Peloponeso, reunindo suas pólis aliadas.

A Confederação de Delos chegou a ter cerca de 200 pólis. Os tributos viraram uma grande fonte de renda e Atenas passou a agir como um império, conquistando possessões persas no Mar Egeu.

Com esse dinheiro, a cidade foi reconstruída: ganhou tribunais, mercados, teatros, estátuas e ginásios. Na Acrópole surgiram os templos Erecteion e Parthenon. Muitas dessas obras foram feitas quando Péricles era estratego (o magistrado mais importante de Atenas, que comandava o exército e dirigia a política), entre 446 a.C. e 431 a.C. Por isso esse tempo ficou conhecido como Século de Péricles.

Exemplos

  • O Parthenon foi erguido para substituir um templo destruído pelos persas em 480 a.C. e homenageava a deusa Palas Atena.
  • Ao longo dos séculos, o Parthenon virou igreja católica, mesquita muçulmana e até paiol de pólvora, dependendo de quem dominava a Grécia.
  • Os frisos de mármore do Parthenon mostram deuses (Zeus, Hera, Atena, Hefesto) na Procissão das Grandes Panateneias, festa realizada a cada quatro anos em honra de Atena. Nela os gregos ofereciam um novo peplo à estátua de 12 metros da deusa.

Duas alianças rivais

AliançaLíderAno/Características
Confederação de DelosAtenasCriada em 478 a.C.; aliança marítima; chegou a 200 pólis; cobrava tributos
Liga do PeloponesoEspartaCriada para se opor a Atenas; reunia pólis aliadas dos espartanos

7A conquista do mundo grego

Esparta era a grande potência de terra e Atenas a grande potência do mar. Mesmo tendo lutado juntas contra os persas, havia entre elas uma forte rivalidade econômica, política e militar.

Essa rivalidade virou guerra nas últimas décadas do século V a.C.: a Guerra do Peloponeso. De um lado, Atenas com a Confederação de Delos; do outro, Esparta com a Liga do Peloponeso.

7.1A Guerra do Peloponeso (431–404 a.C.)

Os conflitos começaram em 431 a.C. e terminaram em 404 a.C. — foram 27 anos de guerra.

Os espartanos venceram, com a ajuda dos persas. Eles acabaram com a democracia ateniense e colocaram em Atenas um governo oligárquico.

Esparta virou, por um tempo, a principal potência grega. Mas o preço foi altíssimo: quase todas as pólis se envolveram, as cidades gastaram fortunas e as populações empobreceram.

Ou seja: o vencedor também saiu enfraquecido. A Grécia ficou dividida e frágil.

Exemplos

  • Cálculo simples da duração: 431 a.C. − 404 a.C. = 27 anos de guerra.

Guerra do Peloponeso — resumo

ItemInformação
Período431 a.C. a 404 a.C. (27 anos)
LadosAtenas + Confederação de Delos x Esparta + Liga do Peloponeso
VencedorEsparta (com ajuda dos persas)
ConsequênciasFim da democracia ateniense; governo oligárquico em Atenas; pólis empobrecidas e enfraquecidas

7.2O avanço macedônio: Filipe II e Alexandre, o Grande

Desunidas e cheias de problemas sociais, as pólis viraram alvo fácil. Ao norte do território grego vivia um povo chamado macedônios.

Por volta de 340 a.C., sob o comando do rei Filipe II, os macedônios invadiram a Grécia. Dois anos depois, Filipe foi aclamado governante grego.

Essa conquista mudou a história dos gregos: pela primeira vez as cidades ficaram unidas sob um mesmo governo e deixaram de ser Estados autônomos.

Em 336 a.C., Filipe II foi assassinado e seu filho Alexandre, de apenas 20 anos, assumiu o trono. Ele continuou a expansão: conquistou a Ásia Menor, o Oriente Médio, o norte da África, a Pérsia e chegou até as fronteiras com a Índia — tudo em apenas 12 anos. Por isso ficou conhecido como Alexandre, o Grande.

Exemplos

  • Alexandre fundou várias cidades por onde passou, muitas com o nome de Alexandria, abriu novas rotas comerciais e deixou generais de confiança governando as terras conquistadas.

Conquista macedônica — datas

AnoFato
c. 340 a.C.Filipe II invade o território grego
c. 338 a.C.Filipe II é aclamado governante da Grécia
336 a.C.Filipe II é assassinado; Alexandre, com 20 anos, assume
336–324 a.C.Em 12 anos, Alexandre conquista Ásia Menor, Oriente Médio, norte da África, Pérsia e chega à Índia

7.3O Helenismo e a cidade de Alexandria

Alexandre foi aluno do filósofo Aristóteles e admirava muito a cultura grega. Queria vê-la espalhada pelo mundo.

Por isso, conforme conquistava novos territórios, ele espalhava a cultura grega entre os povos dominados. Esse encontro do saber grego com o saber dos outros povos deu origem ao Helenismo — a fusão da cultura grega com as culturas orientais.

Com o declínio de Atenas, a cidade de Alexandria, no norte do Egito, fundada em 331 a.C., tornou-se um dos maiores centros de saber do Mundo Antigo. Lá viveram filósofos, matemáticos e astrônomos, e sua biblioteca chegou a reunir mais de 700 mil manuscritos.

Alexandria também ficou famosa pelo seu porto, onde foi construído o Farol de Alexandria, uma das sete maravilhas do Mundo Antigo.

Exemplos

  • O Farol de Alexandria foi construído em 280 a.C. pelo arquiteto Sóstrato de Cnido. Tinha de 115 a 150 metros (como um prédio de 43 andares), uma chama sempre acesa e espelhos que refletiam a luz até 50 km de distância. Foi destruído por um terremoto em 1375; em 1994 mergulhadores acharam suas ruínas no Mediterrâneo.
  • Cidades helenísticas importantes: Alexandria (Egito), Pérgamo e a Ilha de Rodes (Mar Egeu).

8Enquanto isso... o Segundo Império Babilônico

Na virada do século VII a.C. para o VI a.C., época em que Atenas ganhou sua primeira Constituição, a cidade da Babilônia voltou a ser um centro político e cultural importante na Mesopotâmia.

A Babilônia ficava às margens do Rio Eufrates e já tinha vivido um período de esplendor entre 1800 a.C. e 1600 a.C., sob o reinado de Hamurabi — o Primeiro Império Babilônico. Depois da morte dele, a cidade entrou em declínio e foi dominada por vários povos, como hititas e elamitas.

No fim do século VII a.C., os assírios dominavam a região, mas os caldeus conseguiram expulsá-los. No reinado de Nabucodonosor II (604 a.C.–562 a.C.), formou-se o Segundo Império Babilônico.

O rei construiu palácios, templos e jardins, e a cidade virou um grande centro comercial, cultural e científico. Em 539 a.C., porém, foi invadida pelas tropas de Ciro II e passou ao domínio dos persas.

Os dois impérios babilônicos

ImpérioRei principalPeríodoFim
Primeiro Império BabilônicoHamurabic. 1800–1600 a.C.Declínio após a morte do rei; domínio de hititas, elamitas etc.
Segundo Império BabilônicoNabucodonosor II604–562 a.C.Invasão persa de Ciro II em 539 a.C.

9Revisão final e dicas de prova

Guarde bem estas ideias-chave.

Esparta: fundada pelos dórios, sociedade militarizada, governo oligárquico com dois reis (diarquia), Gerúsia, Eforato e Ápela; três grupos sociais (esparciatas, hilotas e periecos).

Atenas: fundada pelos jônios, sociedade comercial, passou de monarquia a oligarquia e depois à democracia, graças às reformas de Sólon e Clístenes; três grupos (cidadãos, metecos e escravizados).

Guerras Médicas: gregos contra persas; vitórias em Maratona (490 a.C.) e em 480 a.C.

Guerra do Peloponeso (431–404 a.C.): Atenas contra Esparta; venceu Esparta, mas todos saíram enfraquecidos.

Macedônios: Filipe II conquista a Grécia; Alexandre, o Grande, cria um enorme império e espalha a cultura grega, dando origem ao Helenismo.

Exemplos

  • Questão típica (FGV): um texto fala de guerreiros que aos 7 anos deixam a família e são educados pelo Estado, entram no serviço militar aos 20 e saem aos 60 — a resposta é Esparta.
  • Questão típica (UTFPR): a cultura difundida por Alexandre, com centros em Alexandria, Pérgamo e Rodes, chama-se helenística.
  • Questão típica (IFCE/MACKENZIE): a democracia ateniense excluía mulheres, estrangeiros (metecos) e escravizados — atendia a uma minoria da população.
  • Questão típica (IFSUL): a organização política de Esparta era uma oligarquia.

Quadro-resumo comparativo final

ItemEspartaAtenas
Povo fundadorDóriosJônios
Grupos sociaisEsparciatas, hilotas, periecosCidadãos, metecos, escravizados
GovernoOligarquia/diarquia (2 reis, Gerúsia, Eforato, Ápela)Democracia direta (depois das reformas de Clístenes)
EducaçãoMilitar, dos 7 aos 30 anosVoltada à política, artes e filosofia
MulheresMais direitos; treinavam e participavam de reuniõesPapel limitado ao lar e à família
Aliança militarLiga do PeloponesoConfederação de Delos

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Capítulo 10 — Grécia dos Períodos Clássico e Helenístico

Resumo rápido

Capítulo 10 — Grécia dos Períodos Clássico e Helenístico

Resumo rápido

1Esparta e Atenas: as maiores pólis gregas

Os gregos viviam em pólis, que eram cidades-Estado independentes. As duas mais importantes foram Esparta e Atenas, mas elas eram bem diferentes uma da outra.

Esparta ficava no Peloponeso e foi a maior potência militar da Grécia. Seu governo era uma oligarquia, palavra que significa "governo de poucos": só um pequeno grupo mandava.

Atenas ficava na região da Ática, perto do mar, e foi o berço da democracia, o regime em que os cidadãos participam das decisões.

A rivalidade entre as duas cidades gerou guerras que enfraqueceram a Grécia e abriram caminho para a conquista pelos macedônios.

2Esparta

Esparta foi fundada pelos dórios por volta do século IX a.C., no Peloponeso. Os dórios conquistaram a região, tomaram as terras e dividiram os lotes entre si.

Quem morava ali antes foi dominado. Por isso, a forma como Esparta nasceu explica a divisão da sociedade espartana.

2.1A sociedade espartana

A população se dividia em três grupos.

Os esparciatas eram a elite: descendentes dos dórios, só 10% da população. Só eles participavam da política (a partir dos 30 anos) e não podiam fazer trabalho manual, pois viviam da renda das terras.

Os hilotas eram servos do Estado. Eram os povos que resistiram aos dórios: perderam terras e direitos e tinham de entregar metade do que produziam. Muitas vezes se revoltaram.

Os periecos eram livres, não haviam resistido à invasão. Não participavam da política, mas trabalhavam com comércio e artesanato e serviam ao Exército.

As mulheres espartanas tinham mais direitos que em outras cidades: cuidavam das finanças da família, praticavam esportes e opinavam. Ainda assim, esperava-se delas gerar filhos fortes para a guerra.

2.2A organização política de Esparta

Esparta tinha diarquia: dois reis ao mesmo tempo, vitalícios e hereditários. Eles cuidavam da religião e do exército, mas dividiam o poder com três órgãos.

A Gerúsia era formada por 28 esparciatas com mais de 60 anos (os gerontes), com cargo até a morte. Eles propunham leis e julgavam crimes.

O Eforato tinha 5 magistrados (éforos) eleitos por 1 ano. Com o tempo, passaram a governar de fato, fiscalizando reis, Gerúsia e Ápela.

A Ápela reunia esparciatas com mais de 30 anos. Votava as leis da Gerúsia e elegia os membros da Gerúsia e do Eforato.

2.3A educação militar

Esparta era uma sociedade militarizada. Aos 7 anos, os meninos saíam de casa e iam para os quartéis.

Dos 7 aos 12 anos treinavam esportes e aprendiam disciplina e bravura. A partir dos 18 anos o treino ficava mais duro: andavam descalços e eram chicoteados para aprender a suportar a dor.

Dos 20 aos 30 anos ficavam nos quartéis esperando a guerra. Só depois dos 30 saíam do serviço militar, mas podiam ser chamados até os 60.

Os guerreiros gregos eram chamados de hoplitas. Levavam lança, espada, escudo, couraça, perneiras e elmo — tudo pesando cerca de 35 kg.

3Atenas

Atenas foi fundada pelos jônios por volta do século IX a.C., na região da Ática. Ficava perto do mar e tinha o porto do Pireu.

Por isso, os atenienses viviam muito do comércio marítimo e da pesca, e não da guerra como os espartanos.

3.1A sociedade ateniense

Havia três grupos.

Os cidadãos eram homens livres filhos de cidadãos. Eram a menor parte da população, mas os únicos com direitos políticos. Entre eles estavam os eupátridas (famílias aristocráticas donas das melhores terras), pequenos proprietários, camponeses, artesãos e comerciantes.

Os metecos eram estrangeiros e ex-escravizados. Não podiam ter terras nem votar.

Os escravizados eram a base da pirâmide, em geral prisioneiros de guerra. O trabalho deles deixava os cidadãos livres para se dedicar à política, à arte e à filosofia.

Mulheres, escravizados e metecos não eram cidadãos. As mulheres atenienses tinham vida muito limitada: cuidavam da casa e dos filhos.

3.2A política em Atenas

Atenas começou como monarquia: um rei (o basileu) governava com um conselho de eupátridas. Depois de cerca de 200 anos, os eupátridas tomaram o poder e criaram uma oligarquia.

Os eupátridas ficaram com as terras de quem devia dinheiro, e muita gente virou escravizada por dívida. Isso gerou revoltas e forçou reformas.

Surgiram os tiranos (governavam pela força) e os legisladores (mudavam as leis). Sólon, no século VI a.C., acabou com a escravidão por dívida e devolveu terras aos endividados.

Clístenes, em 510 a.C., dividiu a cidade em demos (algo como distritos) e criou dez tribos, cada uma misturando moradores do litoral, do interior e da cidade. Assim enfraqueceu a aristocracia e nasceu a democracia (demos = povo; cracia = governo).

Na assembleia, qualquer cidadão podia falar e votar levantando a mão. O voto do rico valia o mesmo que o do pobre.

3.3Tipos de democracia (para ir além)

Em Atenas havia democracia direta: o próprio cidadão votava as decisões, sem intermediários.

No Brasil temos democracia representativa: elegemos representantes (vereadores, deputados, presidente) que decidem em nosso nome. Por isso votar com atenção é tão importante.

Exemplo

  • A Suíça ainda usa democracia direta: a cada três meses os cidadãos votam questões que viram leis.

4Atenas em guerra: as Guerras Médicas

As Guerras Médicas foram os conflitos entre gregos e persas (séc. V a.C.). O nome vem dos medos, um dos povos do Império Persa.

Os persas dominavam colônias gregas na Ásia Menor, cobravam impostos e interferiam na política local. Os gregos, liderados por Mileto, se rebelaram, e os persas destruíram a cidade em 494 a.C.

Em 490 a.C., o rei Dario invadiu a Grécia com 50 mil soldados, mas os atenienses venceram na Batalha de Maratona.

Em 480 a.C., os persas voltaram com 250 mil homens, chegaram a incendiar Atenas, mas Esparta e Atenas unidas expulsaram os invasores.

4.1Confederação de Delos e Século de Péricles

Com a vitória, Atenas virou a maior potência grega e começou o Período Clássico. Em 478 a.C., criou a Confederação de Delos, uma aliança militar marítima de defesa.

Atenas passou a cobrar tributos das cerca de 200 pólis aliadas e usou esse dinheiro para se expandir. Esparta saiu da aliança e criou a Liga do Peloponeso.

Atenas foi reconstruída com teatros, mercados e templos. Na Acrópole ergueram o Erecteion e o Parthenon, templo da deusa Palas Atena.

Esse tempo de esplendor (446–431 a.C.) ficou conhecido como Século de Péricles, pois Péricles era o estratego (o principal magistrado de Atenas).

5A conquista do mundo grego

A rivalidade econômica, política e militar entre Atenas e Esparta explodiu na Guerra do Peloponeso (431–404 a.C.).

Atenas lutou com a Confederação de Delos; Esparta, com a Liga do Peloponeso. Esparta venceu, com ajuda dos persas, acabou com a democracia ateniense e instalou uma oligarquia em Atenas.

Os 27 anos de guerra empobreceram as pólis e deixaram os gregos desunidos e fracos.

5.1O avanço macedônio e Alexandre

Por volta de 340 a.C., o rei Filipe II, da Macedônia (região ao norte da Grécia), invadiu o território grego e virou governante da Grécia. Pela primeira vez as pólis ficaram unidas sob um só governo, perdendo a autonomia.

Em 336 a.C., Filipe foi assassinado e seu filho Alexandre, de 20 anos, assumiu. Em apenas 12 anos conquistou a Ásia Menor, o Oriente Médio, o norte da África e a Pérsia, chegando até a Índia — por isso ficou conhecido como Alexandre, o Grande.

Ele fundou várias cidades (muitas chamadas Alexandria) e abriu novas rotas comerciais.

5.2O Helenismo

Alexandre, aluno do filósofo Aristóteles, admirava a cultura grega e a espalhou pelos povos conquistados.

A mistura do conhecimento grego com o dos outros povos criou o Helenismo, marca do chamado Período Helenístico.

Alexandria, no Egito (fundada em 331 a.C.), virou o maior centro de saber do Mundo Antigo, com uma biblioteca de mais de 700 mil manuscritos e o famoso Farol, uma das sete maravilhas.

6Resumo do capítulo

Neste capítulo você estudou: a vida em Esparta (oligarquia e sociedade militarizada) e em Atenas (comércio e democracia); as Guerras Médicas contra os persas; a Guerra do Peloponeso entre gregos; e as conquistas de Alexandre com o surgimento do Helenismo.

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